Os trabalhadores da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) vão entrar em greve a partir do próximo dia 2. A decisão foi tomada em assembleia unificada dos 11 sindicatos que representam os trabalhadores da área no município de Belém, realizada ontem à noite, no ginásio da Universidade do Estado do Pará (Uepa).
O estopim para a decisão foi o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) que a secretária de Saúde do município, Sylvia Santos, apresentou aos representantes sindicais em reunião realizada na quarta-feira passada. A proposta foi rechaçada pelas categorias durante a assembleia. “É uma imoralidade o que eles propuseram pra gente”, afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Radiologia, Ronaldo Maciel Santos.
O diretor do Sindicato dos Odontologistas, Luiz Otávio Neves Barbalho, denunciou que nenhum posto de saúde de Belém tem aparelho de raio x. “Em caso de fratura de dentes, por exemplo, a gente faz a extração no rumo porque não sabe o que é osso e o que é dente, ou nem extrai”, afirmou.
CAOS
O médico João Gouveia, coordenador do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), que convocou a assembleia, disse que a saúde está um caos e que a categoria, que está em greve no município, “não tem mais o que conversar com eles (Sesma)”.
Uma pauta de reivindicações com oito itens foi entregue à Sesma, no último dia 5, mas nenhuma resposta tinha sido dada até ontem, com exceção do PCCR que, segundo Gouveia, é o mesmo que já havia sido rejeitado “porque causa perdas salariais”.
A data da greve geral coincide com a data em que os trabalhadores do PSM da 14 de Março já haviam escolhido para iniciar uma greve naquele hospital, em assembleia realizada no último dia 16. Segundo a presidente da Associação dos Servidores de Saúde do PSM da 14, Rosana Oliveira, as duas casas de Saúde Mental do município também vão entrar em greve.
Além dos médicos, radiologistas e odontólogos, o movimento unificado dos trabalhadores da saúde do município de Belém reúne ainda os sindicatos dos enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, além dos sindicatos dos Trabalhadores em Saúde Pública (Sintsesp) e Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde).
A Sesma divulgou uma nota em que “lamenta a greve que está programada para acontecer”. A secretaria informa que se reuniu na tarde da última quarta-feira (18) com os representantes de diversas categorias médicas que atuam na rede municipal de saúde e está aguardando resposta dos sindicatos para a formação de uma comissão que irá avaliar e acompanhar a finalização do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) da categoria. “No encontro, a Sesma também respondeu à diversas reivindicações. A Sesma ressalta que possui até o mês de setembro para apresentar à Câmara de Vereadores o PCCR”.
(Diário do Pará)
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