Depois da primeira confirmação do tipo 4 da dengue em Marabá, órgãos que combatem a doença se mobilizam para evitar uma epidemia no próximo período chuvoso. Como a população já contraiu apenas os tipos 1, 2 e 3, as pessoas estão imunizadas apenas contra essas variações e quase ninguém contraiu contra o tipo 4, que é novo em todo o Brasil. Para minimizar a previsão de um alto índice de casos de dengue, a Prefeitura de Marabá já traça planos de trabalho.
Segundo o último Levantamento de Índice Rápido (Lira), que buscou o percentual do Aedes Aegypti encontrado nos domicílios, os três setores detectados com alto risco para dengue no município são os bairros Km 2 (São João), com 7,7%; Jardim Vitória (5%) e Folha 8, que teve 5,5%. O bairro Francisco Coelho (Cabelo Seco) vem logo em seguida, destacado em situação de alerta, com percentual de 3,45%. Os registros totais, que englobam todo o município, indicam que os índices deste ano estão bem mais baixos do que os registrados no primeiro semestre do ano passado. O caso confirmado de dengue tipo 4 em Marabá foi de um jovem de 25 anos, com o resultado divulgado no último dia 4. O rapaz mora na Nova Marabá, uma das áreas com maiores focos de dengue, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A enfermeira Maurícia Macedo, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SMS, destaca que a precariedade no serviço de distribuição de água no núcleo faz com que as pessoas acumulem água em muitos recipientes, que acabam se transformando em reservatórios do mosquito Aedes Aegypti. “Além disso, a demografia da Nova Marabá também contribui bastante para o acúmulo de água parada”, observa.
A estratégia que a SMS acredita ser a mais pertinente para combater a doença é o trabalho de conscientização dos moradores, já que 85% dos focos estão em residências, conforme levantamento do Comitê de Combate à Dengue. A prefeitura quer começar na próxima semana os primeiros mutirões nos bairros apontados pelo Lira. O trabalho inclui coleta de lixo, visita domiciliar, coleta de amostra de larvas e eliminação de criatórios do mosquito. Palestras em escolas também estão entre os trabalhos de conscientização.
Luiza Duarte Lopes mora em um dos bairros de maiores índices de foco do mosquito, o Jardim Vitória, e ficou surpresa ao ser informada pela reportagem que estava entre as residências que mais proliferam o mosquito Aedes Aegypti. “Não sabia disso. Cuido do meu quintal, mas não tenho como saber se meus vizinhos fazem o mesmo. Troco a água dos animais de estimação diariamente e mantenho a caixa d’água fechada”, conta Luiza, asseverando que “não é informação o que falta nas pessoas, mas compromisso”, resume.
A SMS garante que aumentou o número de notificação. Além disso, o setor de Vigilância Epidemiológica formou uma equipe dentro do Hospital Municipal de Marabá que busca nos prontuários sintomas que se assemelham com os da dengue para investigar. “Se há suspeita, é feita a sorologia para confirmar ou descartar a possibilidade”, fala a enfermeira Maurícia.
(Diário do Pará)
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