Uma cena inusitada foi registrada na manhã de ontem (20), na sede do Serviço Móvel de Urgência e Emergência (Samu 192), no bairro de Fátima, em Belém. Um caminhão do Corpo de Bombeiros abastecia as caixas d’água do prédio, pois o fornecimento do serviço havia sido interrompido, segundo os funcionários, por falta de pagamento.
O serviço de fornecimento de água foi cortado na última quinta-feira (19) e a situação deixou os trabalhadores indignados. “Eles alegaram falta de pagamento e ficamos sem água para banho, para lavar as ambulâncias”, disse o técnico de enfermagem Ricardo Chagas, membro da Associação dos Servidores do Samu.
Para protestar contra a situação, os funcionários decidiram paralisar os serviços no início da manhã de ontem. Durante uma hora eles permaneceram na sede do Samu e apenas 30% dos atendimentos à população estavam sendo mantidos. “A paralisação é para avisar a Sesma (Secretaria Municipal de Saúde), que não estamos suportando essa situação, que se não tomarem uma atitude vamos paralisar de vez”, contou.
Durante o protesto, apenas as chamadas para os casos mais graves estavam sendo atendidas no começo da manhã. “Temos sempre a preocupação de manter os 30% de funcionamento porque a população não pode ser mais penalizada do que já é. Paramos somente em repúdio a essa situação”, ressaltou. O protesto foi rápido e por volta das 09h os serviços já estavam normalizados.
Os funcionários prometem novas ações, caso a situação não se resolva logo. “Estamos em estado de greve. Se não melhorar, paramos de vez”, afirmou Chagas.
ABASTECIMENTO
Desde a quinta-feira, os funcionários contam com a ajuda do Corpo de Bombeiros para encher as caixas d’água do prédio. “Eles trazem água da maré, que nós usamos para lavar banheiros e as ambulâncias. Mas, se fizermos um atendimento e precisarmos tomar banho, por exemplo, não dá pra ser com essa água”, disse.
Em nota, a Sesma informou que “as cisternas que armazenam água do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) estão sendo abastecidas pelo Corpo de Bombeiros, devido ao desligamento ocasionado pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Informamos ainda que a Secretaria precisa cumprir com trâmites burocráticos por se tratar de um órgão público, mas que está providenciando o mais breve possível a normalização do serviço de água no local”, diz a Sesma. (Diário do Pará)
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