A ideia era passar uma semana, mas os acontecimentos de um dos verões mais inesquecíveis da vida da universitária Rosana Magno a fizeram permanecer em Salvador por mais três dias, que a possibilitaram encerrar as férias de 2007 não apenas com lembranças memoráveis, mas que também lhe deram o direito de vivenciar um amor de verão. “O verão que passei na Bahia foi realmente inesquecível. Tive um amor de verão com direito a volta pra Salvador pra encontrá-lo. Foi o suficiente para tornar uma história bem legal”.
Motivada a conhecer a Bahia por intermédio de uma amiga da faculdade que, meses antes, havia se mudado para aquele estado, Rosana vivenciou experiências que, até hoje ainda lhe despertam sorrisos. Depois de uma semana conhecendo as belezas das cidades baianas, foi na capital, no último final de semana das férias, que ela conheceu o amor que perdurou por mais cinco meses após o verão.
“Estávamos na praia, eu e umas amigas, e conhecemos um grupo de amigos e, dentre eles, estava a pessoa que acabei ficando”, lembra. “Ficamos juntos o sábado e o domingo, ele foi me levar no aeroporto e continuamos nos comunicando depois disso, a distância”.
A história vivenciada por apenas dois dias teve desdobramentos. Alguns meses depois, Rosana retornou a Salvador. “Quando chegou o carnaval, eu fui novamente pra Bahia atrás dele. Meu primeiro carnaval na Bahia, passei lá, por causa de um amor de verão”. Passados mais três meses da segunda aventura, o relacionamento à distância acabou, mas ficaram as lembranças das férias por toda a vida. “O verão, aqui no Pará, tem um gostinho bem diferente porque é, realmente, só um mês que temos”.
NA MEMÓRIA
Apesar das recordações eternas das praias baianas, foi no Pará que a estudante vivenciou mais um dos verões que ficaram na memória. Mais um de muitos. “Tenho vários verões inesquecíveis. O verão é a melhor parte do ano para mim”, afirma. “Outro verão inesquecível foi o do ano passado, quando fui para Salinas. Iria com os amigos na quinta-feira e só voltava na terça. Vinha em Belém só pra pegar mais roupa e voltar”.
A ida a um dos destinos mais procurados pelos paraenses no mês de julho em 2011 não foi a primeira para Rosana, mas a convivência com os amigos e as ocasiões vivenciadas nesse deixaram marcas que são lembradas e vivenciadas novamente através de fotos até hoje. “O penúltimo final de semana foi o melhor de todos. Não queríamos mais voltar”, lembra. “Costumo dizer que tenho uma depressãozinha pós-férias. Mas a sensação também é boa por ter vivido momentos tão bons”.
Foi também por uma passagem em Salvador que a estudante de direito, Suelen Barbosa, viveu sua versão de verão inesquecível. Aos 17 anos de idade e na companhia de duas primas, Suelen saiu de Brasília de carro em direção a Aracajú, porém, no meio do caminho, as decisões tomadas de última hora começaram a marcar as férias de 2008. “O primeiro objetivo era ir a Aracaju, mas no meio do caminho decidimos ir pra Salvador”.
Foram apenas três dias na capital baiana, período suficiente para não tirar mais a cidade da memória. “Eu não conhecia Salvador e pude ver as praias, o Pelourinho, uma apresentação dos Filhos de Gandhy... foi especial”, lembra.
O segundo imprevisto positivo aconteceu no local de destino. Em Aracaju, a estudante de direito descobriu que, justamente no período em que estariam no local, aconteceria uma prévia do carnaval. “Descobríamos que iria ter o pré-caju e não sabíamos se iriamos poder ir porque eu e uma outra prima ainda tínhamos 17 anos, mas convencemos a prima mais velha , fomos, e foi muito bom”, lembra. “Esse verão foi inesquecível porque foi surpreendente. Foram coisas que não estavam programadas e que acabaram sendo melhores que as programadas. No final, fica uma certa tristeza porque ficamos acostumados com aquelas sensações das férias”.
Segundo a psicóloga Niamey Vranhei, a sensação de tristeza ao final das férias, principalmente das férias de verão, está associada às próprias expectativas que se formam em torno dessa época do ano. Segundo ela, a superexpectativa de muitas pessoas pelos acontecimentos do verão fazem parte de aspectos culturais dos brasileiros. “São várias coisas associadas às férias de verão. O sol estimula a produção de serotonina (hormônio presente no corpo humano) que está associado à felicidade e as pessoas idealizam que, no verão, tudo de magnífico vai acontecer”, afirma. “As pessoas acreditam que vão encontrar um grande amor... temos até músicas que falam disso”.
Segundo a psicóloga, além dos aspectos positivos, as sensações provocadas pelo verão também podem gerar sensações negativas, como a frustração diante de uma expectativa não concretizada. “Existe uma diferença entre o real e o idealizado, por isso, às vezes essas expectativas podem levar a uma frustração que leva à sensação de tristeza ao final”, disse. “Isso é cultural, nossa cultura exacerba isso, mas também é uma coisa humana. O que seria de nós sem as fantasias?”.
EXPECTATIVA
Desde a experiência inusitada e inesquecível do último verão, a expectativa do designer gráfico Anderson Galvão é sempre a de vivenciar coisas parecidas. Apesar do susto inicial de ficar encalhado em um barco emprestado com mais 14 pessoas por três horas, o que guarda dessa experiência na memória são os momentos engraçados da aventura.
“Fomos pra Salinas esperando o previsível, mas esse verão começou a ser inesquecível quando encontramos lá um grupo de amigos que não víamos há muito tempo”, lembra. “Ficamos em uma casa que tinha um barco e saímos com ele, mas ele encalhou e ficamos mais de três horas esperando a maré encher de novo”.
Sem comunicação com as pessoas que permaneceram na casa, a aventura chegou a preocupar muita gente, mas, ao final, as brincadeiras tomaram conta da situação. “Para entrar no barco tivemos que ir nadando então não levamos celular”, explica. “Para passar o tempo, começamos a fazer brincadeiras. Deu tudo certo, saímos de lá e essa aventura foi o que tornou esse verão inesquecível”.
Com as marcas da experiência em todos os amigos que estavam no local, a situação virou sinônimo de diversão entre o grupo que, sempre que se encontram, lembram da aventura. “Nos encontramos e brincamos: ‘vamos pegar pra Salinas pegar um barco e encalhar?”, brinca. “Sempre fica aquela sensação nostálgica de reencontrar os amigos e viver uma história dessas”.
(Diário do Pará)
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