Professor, ensaísta, teórico literário, filósofo. Benedito Nunes sempre foi referência como um dos mais conceituados intelectuais do Brasil, com trabalhos que lançam olhares sobre as obras de Friedrich Nietzsche, Clarice Lispector e Guimarães Rosa, dentre tantos outros. Porém, a pesquisadora Maria Stella Faciola Pessôa Guimarães, mestre pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da Universidade Federal do Pará (UFPA), decidiu seguir outro caminho e buscar não o Benedito intelectual – mas o Benedito amazônida, intérprete de sua própria região.O resultado foi o estudo Um Olhar Atrás da Escrita: O Pensamento de Benedito Nunes Sobre a Amazônia, fruto de pesquisas em textos do filósofo, voltados à reflexão sobre a Amazônia. Orientado pela professora Edna Castro, o trabalho de Maria Stella serve de referência para a compreensão de Benedito como escritor que nasceu e sempre morou no Pará. Amante de literatura, Maria Stella conta como se aproximou do autor e de suas obras. “Já conhecia o Benedito Nunes, mas não tive a oportunidade de ser sua aluna na UFPA, pois minha formação é em Engenharia Civil. Entretanto, cinco anos antes de sua morte, em 2011, ele começou a ministrar cursos gratuitos em Ananindeua, ligados à Arquidiocese de Belém. Eu passei a acompanhar essas aulas e me aproximei dele.”A realizadora do trabalho também contou ter sido motorista particular de Benedito, por dois anos, para levá-lo ao Centro de Cultura e Formação Cristã, em Ananindeua, onde o curso era ministrado. “Este contato forte e a admiração por ele me instigaram a pesquisar e tentar entender por que as obras mais conhecidas dele não tratavam da Amazônia. Procurei o Naea, o qual era muito elogiado pelo próprio Benedito, por ser referência em estudos amazônicos na região, conversei com Edna Castro e comecei o trabalho”, relembra.
Pesquisa
Durante o decorrer do trabalho, Maria Stella relacionou o fato de Benedito viver em Belém, na mítica Travessa da Estrella, com a produção do autor sobre sua região, segundo ela, bastante esparsa no tempo. Para a pesquisadora, a grande demanda do chamado “centro intelectual do Brasil, no centro-sul hegemônico, sempre foi para as obras filosóficas, de teoria e crítica literária. Não houve uma procura considerável por textos voltados ao contexto amazônico, e o próprio Benedito nunca se dedicou exclusivamente ao tema.”A dissertação, defendida em maio de 2012, após dois anos de intensa preparação e pesquisa, deixou Maria Stella satisfeita. “Fico muito contente em participar desta interpretação e tornar mais visível essa face do professor Benedito. A intenção, agora, é publicar a dissertação e mostrar o que é a criação intelectual de Benedito Nunes como intérprete da Amazônia, do Pará, de Belém. Penso que o trabalho servirá até mesmo para estimular novos pesquisadores, que poderão ampliar a leitura de Benedito que comecei a fazer. Sua obra tem uma dimensão singular, e merece ser mais lida e estudada.”
(Diário do Pará)
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