Antes mesmo de o sol ficar mais forte, a areia da Praia Grande, em Outeiro, já estava tomada por banhistas para aproveitar o penúltimo final de semana das férias de julho. Com a faixa de areia já menor em decorrência da alta da maré, o último domingo foi considerado o mais preocupante para o grupo de guarda-vidas do Corpo de Bombeiros que atuava na praia. Segundo o Major Helton, o período de maior alta da maré estava prevista para acontecer às 12h40, considerado o mais crítico do domingo. “A areia vai reduzir muito e estimamos que hoje seja o pior domingo porque ficará mais perigoso. Pode aumentar o risco de afogamento e de crianças desaparecidas também”, disse. “Outeiro é considerado, pela corporação, como o balneário mais perigoso por ser mais próximo de Belém, então, o incremento de pessoas é muito grande”.
Outra grande preocupação dos Bombeiros, no balneário, é com o alto índice de crianças que se perdem dos pais na praia. “O problema maior é no final do dia, quando as pessoas já ingeriram uma grande quantidade de álcool”, relaciona. “No domingo passado uma criança de aproximadamente um ano e meio foi encontrada perdida e ficou no nosso posto por duas horas até os pais darem conta do desaparecimento”.
Para evitar que o mesmo acontecesse com os netos, o aposentado Mário Assis tratou de levar Camille e Marcos, de sete e nove anos, para colocar a pulseira de identificação distribuída na tenda do Corpo de Bombeiros. A medida de precaução não foi à toa. Nas férias de julho do ano passado, o aposentado vivenciou a desesperadora experiência de perder a neta na praia. “Nas férias passadas ela, a menor, se perdeu e ficamos três horas procurando. Foi um desespero...”, lembra. “A gente tá bebendo e tem muita criança parecida. Tem hora que olho, acho que é ele e não é. É melhor prevenir”.Preocupada em não perder os netos de vista, a doméstica Maria Domicília fazia plantão na beira da praia e acompanhava com o olhar cada mergulho dos dois netos que se refrescavam na água. “Não tiro o olho não. Meus netos são a minha vida, não dá pra deixar eles sozinhos”.
Quem também aproveitava o domingo era o vendedor Anderson Nascimento. Com blusa de manga cumprida e protetor solar, bem diferente da maioria, ele esperava mais do que diversão. “Vendo boias, brinquedos, esses baldes”. Ele esperava vender pelo menos mais que dez boias nesse final de semana, o suficiente para poder curtir as férias quando a maioria das pessoas retornar para a rotina do trabalho. “As nossas férias são só em agosto. Agora é trabalho!”.
(Diário do Pará)
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