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Belém, cidade onde os pedestres não têm vez

Ir e vir não é tarefa das mais fáceis em Belém. Os obstáculos são inúmeros. Veículos estacionados sobre as calçadas, garagens proeminentes, estabelecimentos comerciais que fazem das vias suas extensões. Do centro à periferia, as irregularidades se repetem

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Ir e vir não é tarefa das mais fáceis em Belém. Os obstáculos são inúmeros. Veículos estacionados sobre as calçadas, garagens proeminentes, estabelecimentos comerciais que fazem das vias suas extensões. Do centro à periferia, as irregularidades se repetem deixando os pedestres, cada vez mais expostos e à mercê da própria sorte.

Na avenida Almirante Barroso, esquina com a travessa Lomas Valentina, mais que trânsito lento em horários de pico, o avançar das obras do BRT (sigla em inglês para ônibus rápido) provoca agora um novo transtorno à rotina dos cidadãos. As faixas de pedestres estão sendo ignoradas, dessa vez não por imprudência, mas por estarem interditadas. O desnível do asfalto na via, em relação ao espaço pelo qual, futuramente, circulará o ônibus rápido, provoca a formação de poças de água e, para desviar, as pessoas estão sendo obrigadas a se arriscar entre os carros que cruzam a avenida.

“Isso aqui ficou um perigo pra gente atravessar. Não tem espaço reto na faixa e a gente tem que invadir o canto da Lomas onde os carros estão passando. Está horrível, não sei pra que inventaram essa arrumação. Tomara que termine logo, pra gente saber se vai mehorar ou piorar de vez”, comenta a aposentada Faustina Ferreira,79 anos, após ter sido advertida pela buzina de um dos automóveis que passava pelo local. “Que posso fazer? Tenho mais idade, não tenho mais toda agilidade e preciso passar por aqui”, lamenta a aposentada.

Em maio, quando anunciou o início das obras na Almirante Barroso, a Companhia de Transportes de Belém (CTBel) garantiu que além de não interromper a circulação nas ciclovias, as obras não atrapalhariam a travessia dos pedestres que seriam adaptadas ao período. Mas por enquanto, as faixas seguem como antes e as pessoas se protegem como podem. Agarrada ao filho de 9 anos, a estudante Paula Bonifácio, 30 anos, esperava o momento certo para atravessar, sem tirar os olhos dos carros que, com velocidade, passavam a sua frente. “Tem que ficar colada nele. Qualquer desvio pode ser fatal”, disse preocupada antes de atravessar encolhida rente à travessa Lomas Valentina, onde era intenso o fluxo de carros.

FEIRANTES
No bairro da Pedreira, o obstáculo são as barraquinhas dos feirantes que desde fevereiro ocupam parte da via em virtude das obras no Mercado do bairro. Nas calçadas, imprensadas entre as bancas e o laminado que delimita a obra, há espaço, mas para fugir do aperto algumas pessoas optam por se arriscar à margem da avenida. “Para passar rápido tem que ser pelo lado, porque na calçada as pessoas param para as compras e fica apertado”, justifica o universitário de 21 anos, Pedro Matias.

Trabalhando no Mercado da Pedreira há 27 anos, o feirante Jeiso Cardoso disse que enquanto a obra não termina não resta opção a trabalhadores e pedestres. “A gente aguarda a inauguração para tudo melhorar. Nunca aconteceu nada. A gente se pega com Deus pra livrar dos perigos, porque tem carro que tira fino, e segue trabalhando”.

Para Maria Petronília Coimbra, 67 anos, o problema é mais antigo. Moradora do Guamá, para ir às compras a aposentada se depara diariamente com restos de madeira utilizadas como lenha por uma panificadora na passagem Onze Bandeirinha, próximo ao Pronto Socorro.

Além de ser feita de depósito, a estreita calçada também é ocupada por ambulantes que comercializam de pequenos lanches à confecções. “Ninguém respeita nada. Apesar de ser uma mão só, as motos passam dos dois lados numa velocidade danada. Tem que descer da calçada e se proteger como pode”, reclama dona Petronília.

Bloqueios são provisórios, afirma Secon
Sobre a travessia de pedestres na avenida Almirante Barroso, a CTBel informou que se trata de uma situação esporádica e que o desnível das vias é necessário para “concretagem” do espaço por onde circulará o ônibus rápido. Segundo a Companhia, a adaptação do espaço só será possível após esse serviço inicial. “A exemplo do que foi feito na travessa Perebebuí vamos construir uma espécie de tablado para travessia inclusive com corrimão, mas isso só pode ser feito após a concretagem. Até lá, as pessoas vão precisar de um pouco mais de atenção para não tropeçar devido ao desnível que é necessário nessa etapa do trabalho”, afirmou o diretor de transportes da CTBel, Izaías Reis.

Segundo ele, a previsão é que os cruzamentos estejam finalizados até o fim deste mês. “Antes da adaptação na Lomas, será feito o trabalho na Júlio César. A orientação aos pedestres é que continuem atravessando na faixa, com cuidado apenas para não tropeçar. O asfalto mais escuro deve-se à raspagem, mas ele não gruda no sapato. Dá para atravessar normalmente”, explicou.

Em nota enviada ao DIÁRIO, a Secretaria de Economia de Belém (Secon) explicou que a situação encontrada na Avenida Pedro Miranda, é provisória e se fez necessária para que sejam realizadas as obras da Feira da Pedreira (antiga Casa do Bife). A previsão é de que os feirantes desocupem a via em setembro, quando serão remanejados definitivamente para as instalações do novo mercado.

(Diário do Pará)

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