A greve dos professores das Universidades Federais continua em todo o Brasil e chega ao 69º dia. Em Belém, uma assembleia reuniu 82 professores da Universidade Federal do Estado do Pará (UFPA), no hall da reitoria, que recusaram por unanimidade a proposta do governo federal. A proposta foi enviada no último dia 13 e analisada em várias assembleias em todo o país. Em nenhum Estado teve aprovação, apenas algumas abstenções.
Na tarde de ontem, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) se reuniu com o governo federal para responder que a proposta foi rejeitada e aguarda uma contraproposta. Segundo a Diretora Geral da Associação dos Docentes da UFPA, Rosimê Meguins, as condições apresentadas pela União não agradaram em nenhum quesito. “A proposta foi rejeitada na integra. O governo propõe o reajuste parcelado em três anos, a começar apenas no ano que vem e sem um percentual único. Além disso, eles estão exigindo titulação para promoções que antes não necessitavam. Outro absurdo é sugerir uma avaliação de desempenhos que devemos cumprir 70%, mas que só saberemos os critérios quando aprovarmos”, afirma.
Durante a assembleia, a diretora apresentou aos professores um paralelo entre a proposta do Andes-SN e a do governo federal.Enquanto o Andes-SN reafirma a carreira única, com variação de 5% entre os níveis de progressão, o governo propõe uma estrutura de carreira hieraquizada, variando o percentual entre níveis. A assembleia também decidiu solicitar ao Comando Nacional de Greve um estudo sobre o impacto que a proposta do Andes-SN causaria no orçamento da União. Uma outra assembleia geral deve ser realizada na próxima quinta-feira, caso o governo federal apresente nova proposta.
Após dois meses de greve, os alunos estão convencidos de que perderam o semestre. Segundo o acadêmico de Direito Lucas Danilo Rodrigues, a paralisação tomou força com o tempo. “No meu curso, alguns professores aderiram de imediato. Mas a coordenadora avisou que as atividades não iam valer no período de greve, então todas as aulas pararam”, explica.
Apesar do prejuízo, Lucas Danilo apoia a mobilização dos professores. “O que se ouve por lá é que eles vão fazer um novo calendário para que a gente não se atrase tanto. Sei que vou começar o 5º semestre quando devia começar o sexto, mas também entendo que esse é um direito deles”, completa.
(Diário do Pará)
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