Uma mulher morreu carbonizada dentro da própria casa, durante um incêndio que destruiu completamente a residência e atingiu parte da casa vizinha. O caso ocorreu terça-feira (26) pela manhã, no bairro da Pratinha II, em Belém.
Segundo os vizinhos, Rosângela do Socorro da Silva, de aproximadamente 45 anos, era portadora de deficiência mental e teria sido morta pelo próprio companheiro, José Luiz Martins, 53 anos, que teria ateado fogo na casa com a mulher dentro.
De acordo com informações da polícia, colhidas com a vizinhança, o incêndio teria começado por volta das 10h30. “Populares contaram que o marido teria saído da casa para consumir bebida alcoólica logo depois de ter trazido alguns pneus, o que poderia ter originado o fogo”, explicou o sargento Machado, da 11ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP), da 3ª Companhia da Polícia Militar.
O que restou do casebre de madeira, após o incêndio, foi apenas o número 135, quase ilegível, riscado em uma das tábuas queimadas da casa localizada na rua C, do Parque Arthur Bernardes, em frente da empresa de transportes Bertolini.
Os vizinhos ainda tentaram conter as chamas, mas conseguiram, com a ajuda dos bombeiros, apenas evitar que o fogo se alastrasse para a casa ao lado, que ainda ficou com parte da parede queimada. “Assim que chegamos aqui, as chamas já tinham se alastrado. Nos deparamos com a residência totalmente destruída e com o cadáver apresentando as vísceras expostas. Foi tudo muito rápido, mas ainda conseguimos evitar que o fogo atingisse outra casa. Ainda não sabemos o motivo do incêndio, somente a perícia do Centro de Perícias ‘Renato Chaves’ poderá identificar a origem do acidente”, informou o subtenente Airton, do Corpo de Bombeiros.
Vizinhos contam que marido agredia a esposa
Indefesa pela deficiência que portava, a mulher seria alvo fácil das submissões do marido. José, apelidado por “Toca”, era conhecido na redondeza por bater na mulher. “Ela vivia acorrentada. Ele a espancava e ela quase não falava pela dificuldade que tinha. Ele bebia quase todos os dias. Ainda pela manhã, logo cedo, ele apareceu com alguns pneus e colocou dentro da casa. Depois, ele saiu com um copo de cachaça na mão e, de repente, o fogo começou”, relatou um vizinho que não quis se identificar.
Segundo os moradores daquela rua, “o casal já morava há mais de quatro anos na residência e brigava constantemente. Eles não possuíam muitos móveis, apenas uma cama e uma geladeira”.
FLAGRANTE
Visivelmente embriagado, José, identificado como marido da mulher carbonizada foi detido por policiais militares que o encaminharam para a Seccional Urbana de Icoaraci. Ele foi preso em flagrante, acusado por homicídio qualificado.
Para a polícia, ele alegou que deixava a companheira trancada já que tinha problemas psicológicos, mas testemunhas informaram que ele teria ateado fogo na casa propositalmente. “Eu saí bem cedo pra fazer um bico, por isso nem sei o que aconteceu. O bico era até perto de casa. Eu fiquei sabendo que uma casa estava pegando fogo porque vi o pessoal comentando. Corri pra ver o que era, e quando cheguei mais perto me avisaram que era a minha casa. Eu não sei como tudo aconteceu”, se defendeu o suspeito.
Ele afirmou ainda que não batia e não tinha o hábito de amarrar a esposa em casa. “Ela sofria de depressão profunda, por isso quase não saia, ficava só deitada na cama. Era eu quem dava banho nela, que cuidava dela”, acrescentou.
(Diário do Pará)
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