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Conselho aprova reajuste da passagem para R$ 2,20

Os usuários do transporte público de Belém deverão ter que desembolsar R$2,20 nas catracas dos ônibus da capital a partir de agosto deste ano. Em reunião realizada na manhã de ontem, na sede da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), o Con

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Os usuários do transporte público de Belém deverão ter que desembolsar R$2,20 nas catracas dos ônibus da capital a partir de agosto deste ano. Em reunião realizada na manhã de ontem, na sede da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), o Conselho Municipal de Transportes decidiu pelo valor da tarifa, que representa um aumento de 10% em relação ao preço atual de R$2.

Escolhida dentre três propostas por doze dos quatorze membros presentes, a tarifa deve, agora, ser encaminhada à Prefeitura Municipal de Belém para homologação e, somente após essa decisão do prefeito Duciomar Costa, poderá vigorar.

Segundo a presidente do conselho e superintendente da CTBel, Ellen Margareth, a previsão é de que a nova tarifa passe a vigorar a partir do dia 1º de agosto. “Acreditamos que a partir do dia primeiro passe a vigorar porque ainda precisamos finalizar a ata para enviar à prefeitura para homologação”, afirma, ao explicar porque, assim como a maioria, votou pela tarifa de R$2,20. “A tarifa é colocada através de planilha e não pela inflação. Foi decidida de maneira absolutamente democrática”.

Segundo Ellen, uma nova reunião do conselho ainda deve acontecer, porém, nada referente à tarifa será mais discutido, tento em vista que o valor já foi aprovado. “Faremos uma carta de propostas e encaminharemos ao prefeito. É nessa próxima reunião que vamos discutir de que forma poderemos vincular melhorias ao transporte”, afirmou, ao concluir a justificativa pela nova tarifa.

“Para se ter um sistema como Belém, que tem uma das tarifas mais baixas, precisávamos disso. Independente disso, temos o BRT (sistema de transporte rápido) que vai ser implantado com a mesma tarifa”.

CUSTOS
Apesar de também ter sido favorável à tarifa definida, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setrans-Bel), Paulo Fernandes Gomes afirma que o aumento não será suficiente para suprir os custos com o sistema de transportes que, hoje, mantém uma frota de 1.755 ônibus. “Essa tarifa não atende em sua plenitude os custos. Para isso, teria que ficar em R$2,34”, afirmou. “Nossa tarifa reflete todos os custos do sistema. Com essa tarifa, o sistema continua relativamente defasado”.

Independente disso, ele afirma que serão feitos investimentos para a melhoria do transporte público. “De qualquer modo, os investimentos são contínuos”.

A tarifa também não agradou por completo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), que votou pelo valor de R$2,19. Segundo o técnico do Dieese, Everson Costa, o reajuste irá pesar no bolso do usuário do transporte.

“Não seria um preço justo porque os salários, quando sobem, não sobem como o transporte, a alimentação...”, afirma. “Se formos olhar a justeza, o reajuste salarial não cobre o que subiu na escola, alimentação e no próprio transporte. Mas o reajuste (da tarifa de ônibus) não contempla somente a inflação, mas, também a melhoria do serviço”.

Segundo um estudo realizado pelo departamento, caso seja homologado o valor de R$2,20, os custos com transporte para uma pessoa que utiliza duas conduções diárias chegará a R$105,60, o correspondente a 16,98% do atual salário mínimo.

Possível reajuste é criticado nas ruas
Presentes na porta da sede da CTBel no momento da reunião, representantes de movimentos sociais e da União Nacional dos Estudantes (UNE) protestavam. Para a representante do coletivo “Vamos à luta”, Raiza Gusmão, os estudantes não aceitarão o reajuste. “É um aumento abusivo porque ele não significa melhoria na qualidade dos ônibus”, afirma. “O que vamos fazer é radicalizar, vamos para as ruas”.

Nas paradas de ônibus da capital, a notícia também não foi muito bem recebida. Para a manicure Ermina Ferreira, o aumento vai pesar no bolso. “Tá muito alto. Já achava caro esse valor de R$2, imagina passando pra R$2,20”, indignava-se. “Pra quem não tem renda fixa fica complicado. Ainda mais eu que tenho que pegar quatro ônibus”.

REAJUSTE ESPERADO
Funcionário de uma empresa que disponibiliza o benefício do vale-transporte, o motorista Josino André Cardias não se incomodou muito com o aumento. Diferente de Ermina, para ele, que já espera o reajuste ano a ano, o aumento não foi tão grande.

“Muitas cidades têm tarifas mais altas que a nossa. Aqui em Belém é uma das mais baratas. Todo ano esperamos que isso aconteça mesmo”, afirma. “Como tenho vale-transporte, a empresa só desconta um percentual. Se não tivesse vale, ia ficar pesado”, acrescenta.

(Diário do Pará)

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