Pela segunda vez este mês, a Santa Casa de Misericórdia do Pará é alvo de denúncia na polícia por causa de irregularidades no atendimento materno infantil. Desta vez, a queixa partiu do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), que aponta superlotação na UTI Neonatal e UCI (Unidade de Cuidados Intermediários). A situação ficou mais crítica depois que a pediatra que estava de plantão na segunda-feira, 23, procurou o Sindmepa para denunciar a situação de mães que permaneceram no corredor da maternidade após dar à luz porque não havia leitos suficientes para elas. Teve mãe que ficou na sala de parto enquanto outras pariam. No último dia 10, outro médico plantonista fez um Boletim de Ocorrência onde denunciou o risco de morte de doze bebês, internados na UCI, que precisavam estar na UTI.
Além da denúncia feita à Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), o sindicato fez representação junto ao Ministério Público do Estado (MPE) e também ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para pedir providências diante da situação em que está a principal maternidade pública do Pará. De acordo com o Sindmepa, as irregularidades apontadas colocam em risco a vida de mães e bebês, bem como a saúde dos trabalhadores.
A direção do Sindmepa reforça que, durante esta semana, o número de médicos que procuraram o sindicato para obter informações de como denunciar as irregularidades na Santa Casa foi grande.
A paciente Luciana Lima, 23, que está internada na enfermaria Sant’Ana II desde o dia 19, quando foi submetida a uma cesárea, ressaltou que não viu nenhuma mãe internada no corredor do hospital ao longo dessa semana. “Não vi nenhum tumulto nem ouvi comentários do tipo”, relatou.
O mesmo comunicou a paciente Brenda Conceição, 20, internada desde o dia 16. “Aqui tem muita mulher tendo bebê, mas não cheguei a ver alguma no corredor”, frisou. Questionada se dividiu a sala de parto com mais alguém, ela respondeu que não, até porque seu parto foi cesareana.
(Diário do Pará)
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