Apenas um dia depois de seu desligamento da Vale, empresa na qual trabalhava desde 1985, o ex-diretor financeiro da mineradora, Tito Martins, foi anunciado ontem pelo Grupo Votorantim como seu novo contratado para exercer o cargo de diretor superintendente da Votorantim Metais. Na Vale, como diretor financeiro desde a gestão do ex-presidente Roger Agnelli, Tito Martins tinha sob sua responsabilidade direta diversas áreas da empresa, como relações com investidores, serviços compartilhados, suprimentos e projetos de capital.
Políticos e empresários que se relacionam com pessoas influentes na Vale, tanto em Brasília quanto na sua administração central, no Rio, não se surpreenderam com o afastamento de Tito Martins, que em várias ocasiões já vinha tornando público o seu descontentamento com decisões internas da empresa.
Um empresário paraense que se fez amigo de Tito Martins, durante o longo tempo de sua permanência na Vale, disse ontem que o ex-diretor já vinha tornando ostensiva a sua discordância em relação a acordos para desembolsos financeiros firmados pela direção atual da empresa.
Apontado como um quadro técnico de primeira linha e pouco permeável a arranjos políticos, Tito Martins chegou a ser cotado para assumir a presidência da Vale em 2011, quando se decidiu pela saída do até então presidente Roger Agnelli. Ele, porém, não disputou a indicação e, segundo os entendidos, mesmo que o fizesse dificilmente mudaria o desfecho, que foi afinal favorável ao atual ocupante do cargo, Murilo Ferreira, muito mais afinado do que ele com a linha de atuação política da presidente Dilma Rousseff e do atual governo.
Em relação ao Pará, o setor empresarial considera que a saída de Tito Martins pode, sim, representar uma grande perda, já que tratou sempre com grande deferência os pleitos paraenses, nas decisões de cúpula da mineradora, e nunca se furtou, quando procurado, a discutir com “carinho e boa vontade” os interesses do Estado, segundo palavras de um dirigente da Fiepa. “Nos muitos contatos que tivemos, ele sempre deixou transparecer profundo respeito pelo Pará”, acrescentou.
Na Vale, o substituto de Tito Martins também já foi escolhido. Luciano Siani, um engenheiro mecânico formado pela PUC do Rio de Janeiro, com MBA pela Stern School of Business, da New York University, vai assumir na mineradora todas as atribuições que ele tinha.
Luciano está na mineradora há apenas quatro anos, mas nesse período já ocupou a diretoria global de planejamento estratégico (2008/2009) e a diretoria global de recursos humanos (2009/2011), tendo retornado ainda em 2011 ao planejamento estratégico.
Ele tem, ademais, uma vasta experiência profissional, que inclui, além das diretorias ocupadas na Vale, uma passagem pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)¸onde exerceu funções executivas nas áreas de finanças e mercado de capitais. Também fez parte dos conselhos de administração de grandes corporações, como Telemar, Suzano e Valepar.
(Diário do Pará)
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