A embaixatriz Batia Eldad, esposa do embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, que cumpre agenda de trabalho no Pará, conheceu na manhã desta quarta feira (25) o Theatro da Paz, uma das mais antigas e importantes casas de espetáculos do país e um dos maiores símbolos do Pará. Ela estava acompanhada da vice-presidente da Comunidade Israelita no Pará, Iana Barcessat Pinto, e da secretaria da congregação, Lyliane Bemerguy Maneschy.
Batia Eldad foi recebida pela assistente de Administração do Theatro da Paz, Celina Lima, e pela supervisora de Monitoramento, Maria das Neves, que também serviu de guia à visita. Antes mesmo de entrar no teatro, Batia Eldad ficou fascinada pelo prédio e sua imponência em pleno centro de Belém. Na entrada, Maria das Neves começou a relatar um pouco da história do teatro, construído durante o ciclo da borracha.
A cada detalhe, a representante do governo israelense no Brasil se mostrava ainda mais interessada pelo maior patrimônio do povo paraense, como ela mesmo definiu o teatro. “É preciso preservar este espaço, que é o maior patrimônio dessa população. As gerações futuras precisam conhecer este lugar maravilhoso, um berço da cultura amazônica”, ressaltou.
O primeiro espaço visitado pela embaixatriz foi a sala de espetáculos, na qual ela pode ouvir um pouco do talento dos músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, que no momento da visita estavam em ensaio. Em seguida, Batia foi conduzida até a varanda, e um dos detalhes que lhe chamaram a atenção foram as placas em metal das escadarias do teatro, usadas na época para fixar o veludo que revestia os degraus.
Admiração
Outro detalhe observado pela embaixatriz foram os quadros originais, confeccionados em vidro polido, localizados nas saídas dos camarotes com a proibição de fumar escrita em vários idiomas. “Nessa época já sabiam que fumar não era bom”, brincou. A programação anual do Theatro da Paz, que entre outros eventos abriga há dez anos o Festival Internacional de Opera da Amazonia, chamou a atenção de Batia Eldad, que é a responsável pelos editais de cultura na Embaixada Israel no Brasil.
A diplomata demonstrou interesse na parceria para intercâmbio entre artistas paraenses e judeus. “Vamos fazer outros contatos para começar essa troca de experiências, que é muito valida para ambos os países”, destacou.
Umdos espaços mais disputados do teatro, o “Foyer” foi também um dos mais admirados pela embaixatriz. Batia fez questão de ressaltar que alguns dos eventos da comunidade judaica em Belém no início do século passado ocorreram no Theatro da Paz. “Eram aqui que se fechavam negócios”, informou. Hoje a comunidade judaica em Belém congrega 500 famílias.
Para a vice-presidente da Comunidade Israelita no Pará, Iana Barcessat Pinto, a visita do casal Eldad ao Pará traz um incentivo ainda maior para a preservação da cultura judaica no Estado, que mesmo distante do centro do país resiste há cerca 200 anos. “Esse é um resgate da nossa cultura, dos nossos costumes. Apesar de termos as nossas raízes no Brasil, não podemos esquecer a nossa terra-mãe”, destacou.
Museu
Batia Eldad também conheceu outros locais históricos da capital paraense. Durante a tarde, a embaixatriz começou a visita pela Casa das Onze Janelas, onde conheceu um pouco da história da arte paraense e seus principais expoentes. A coordenadora de Educação do Sistema Integrado de Museus da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Zenaide de Paiva, e a diretora da Casa das Onze Janelas, Marisa Mokarzel, apresentaram à diplomata obras de precursores das artes plásticas, como Manoel Pastana, que abre a exposição permanente do museu do espaço.
O local, que abriga quatro salas, contém algumas obras raras de artistas como Tarsila do Amaral, Waldir Sarubi e Marinaldo Santos, que estão de alguma forma relacionadas à trajetória das artes no Pará. Batia Eldad ficou fascina por algumas delas, como a escultura em madeira e entalho assinada por João Pinto, obra que faz parte do acervo do Estado desde 1985.
Outra obra observada com minúcia foi a tela pintada à pena por Evandro Salles. “São obras que de alguma forma remetem a Amazônia e isso, sem duvida, é um dos maiores tesouros não só para os paraenses, mas também pessoas do mundo todo”, afirmou.
O Forte do Castelo, espaço que, além de ser a referência de fundação da cidade (construído em 1616), abriga também o Museu do Encontro, reserva aos visitantes uma viagem ao passado. Desde 2001, o local integra o Complexo Feliz Lusitânia e é administrado pelo governo do Estado.
Batia Eldad ficou admirada com o acervo do museu, que, entre outros artefatos e objetos datados do século XVII, guarda também os resquícios das culturas marajoaras e tapajônicas, peças raras que são preservadas como verdadeiras joias. “É uma herança para a cidade ter tão bem guardada sua memória, suas origens e num local que se refere ao início de tudo”, destacou a diplomata.
Encerrando a visita ao Núcleo Cultural do Estado, Batia Eldad visitou a Igreja de Santo Alexandre, uma das mais importantes heranças do estilo barroco e que no Pará tem uma função mais que religiosa. A igreja, que também integra o Complexo Cultural Feliz Lusitana, abriga um dos mais importantes museus do Brasil, o Museu de Arte Sacra.
Em razão da agenda de compromissos, a embaixatriz não conheceu as obras do museu, mas observou atenta aos detalhes da igreja, como imagem de Santo Alexandre e também a sala da sacristia com seu painel em madeira e ouro. “Tudo isso confirma a riqueza cultural que Belém guarda nos seus espaços públicos. Esta cidade tem em sua historia detalhes que a elevam a uma capital que poderia representar o país”, disse.
Ao encerrar a visita, Batia Eldad foi presenteada com um kit contendo publicações e outros acervos didáticos e comemorativos editados pela Secult.
(Agência Pará)
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