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Desafios da sociedade contra as drogas

Em 37 anos de vida, Roberto (nome fictício) foi abandonado pelos pais, experimentou de cola a LSD, aprendeu a fabricar derivados de cocaína, roubou e assaltou. Hoje, o que traz nas lembranças são marcas de experiências que preferia não ter vivido e a afir

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Em 37 anos de vida, Roberto (nome fictício) foi abandonado pelos pais, experimentou de cola a LSD, aprendeu a fabricar derivados de cocaína, roubou e assaltou. Hoje, o que traz nas lembranças são marcas de experiências que preferia não ter vivido e a afirmação incomum para quem permanece em vida. “Eu já morri. Foi na época que eu estava mais nervoso, fabricando, vendendo, exterminando”.
Os motivos que levaram o homem a acumular tais experiências são, justamente, os mesmos que o dia de hoje, Dia Nacional Antidrogas, busca combater. Entranhada em vários setores da sociedade, não é novidade que as drogas são, também, as irradiadoras para ocorrências de crimes como homicídios e roubos. Para Roberto, que há 50 dias está em tratamento no Centro Nova Vida – centro de reabilitação de dependentes químicos -, elas foram, acima de tudo, as responsáveis pela perda de grande parte de sua vida.
Apresentado às drogas aos 12 anos, Roberto começou a se envolver com o comércio ilegal para sustentar o próprio vício. Nesse meio tempo, viu sua vida se transformar de tal forma que, até hoje, as lembranças vêm à mente carregadas de dor. “Vendia droga pra usar mais droga. Tanto que fui usando e acabei perdendo tudo. Fazia tudo o que a sociedade não aceita, mas fui me afundando...”, constata. “Nesses anos, tive vários amigos que morreram, tive amigos que deixaram de ser amigos e amigos que se venderam para me matar por causa das drogas”.

TRÁFICO
Para o assessor de comunicação da Polícia Federal (PF) no Pará, Fernando Sérgio Castro, o maior desafio está em combater a entrada de entorpecentes pelas fronteiras amazônicas. Segundo ele, a fronteira dos estados de Rondônia e Acre com países como Bolívia e Colômbia é a principal porta de entrada das drogas no Brasil. “Bolívia e Colômbia são dois países reconhecidos como produtores de coca e acabam usando as fronteiras do Brasil para escoar. Amazônia é um grande corredor de droga”, afirma.
Segundo Fernando, em média é apreendido pela PF uma tonelada somente de cocaína a cada ano no Pará. Somente na madrugada da última terça-feira, 21 quilos foram apreendidos no município de Capanema. Aliado à apreensão dessas drogas, segundo o assessor, há também a apreensão de armas.

VAREJISTA
Na definição do diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil do Estado do Pará, na qual está vinculada a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a atividade praticada por Roberto no passado o enquadrava na categoria de traficante varejista. “Os chamados traficantes varejistas são aqueles que fazem o tráfico de subsistência. É o usuário que, para sustentar seu vício, vira traficante”, define.
Baseado na experiência vivenciada no dia-a-dia com a detenção de pessoas que atuam nesse meio criminoso, o delegado chega a estimar que um traficante varejista chegue a faturar de R$1.000 a R$2.000 por semana. Foi justamente essa facilidade em ganhar dinheiro que levou Roberto a se envolver com essa prática e o que mais dificultou sua saída. Ele disse que só conseguiu parar de vender drogas quando se deu conta do próprio estado físico e emocional. “O mais difícil para sair é justamente o que atrai. Tudo vem fácil”, explica. “Mas eu tive um ‘estalo’ e percebi que não era isso que eu queria. ‘Só por hoje’, até o fim da vida”.
Apesar de identificar dificuldades ainda difíceis de serem superadas para maior efetividade das ações de combate às drogas e ao tráfico, o delegado Ivanildo acredita que uma das principais saídas é, justamente, a escolhida por Roberto quando ele se decidiu por procurar uma clínica de reabilitação. “O grande problema é o pouco investimento na recuperação do viciado. Só recuperando o viciado é que se pode combater essa verdadeira praga que é o tráfico”, acredita.

(Diário do Pará)

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