Até 2015, aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo deverão sofrer de algum tipo de perda auditiva, segundo aponta a Organização Mundial de Saúde (OMS). A surdez pode ser provocada por diversos fatores, entre eles o uso indiscriminado de determinados aparelhos sonoros como, por exemplo, os fones de ouvido.
Milhares de pessoas usam os fones, que podem ser acoplados ao aparelho de telefone celular para ouvir músicas e assistir a vídeos sem se preocupar com a intensidade do volume. O som acima de 80 decibéis pode provocar doenças que gerem a perda parcial – e até total – auditiva. Por isso, é preciso ter cuidado quanto ao tempo em que se deixa o instrumento no ouvido e a intensidade.
O universitário Arnold Souza, 22, agora entende que usar frequentemente o fone de ouvido é prejudicial à saúde auditiva. Ele sofreu três infecções intra-auriculares porque, segundo o médico que lhe atendeu, passava quase 8 horas do dia com o fone de ouvido. “Eu conectava o fone no meu Ipad e colocava no ouvido. Como viajava diariamente de Belém para Barcarena, ia escutando música durante o percurso. Também ouvia música no estágio”.
No decorrer do tempo, Arnold relatou que passou a sentir uma determinada pressão no ouvido. “Algo parecido com aquela pressão que a gente sente quando mergulha”, descreveu. Depois vieram as dores que não lhe deixavam dormir. “A dor não passava, eu ouvia um zumbido e ainda tinha a pressão. Até que fui à emergência”, disse o estudante.
INFECÇÃO
A infecção durava cerca de 4 dias e só passava quando ele tomava os antibióticos prescritos pelo médico. “Isso aconteceu três vezes e só parou quando deixei de usar o fone de ouvido”.
O otorrinolaringologista José Cláudio Cordeiro reforça que o acúmulo de horas em exposição a ruídos, mesmo menor que os 80 decibéis, é prejudicial aos ouvidos. “Algumas pessoas passam a escutar chiados internos, algum tipo de zumbido. Esse problema acaba indo e voltando, depois passa a incomodar o sono e pode não sumir mais”. Quando isso acontece, é sinal de que a pessoa deve procurar com urgência atendimento médico.
Outro sintoma comum que pode ajudar a pessoa a perceber que está com a audição comprometida é quando ela passa a ouvir e não entender o que está sendo dito para ela.
Claúdio Cordeiro lembra que não há como o indivíduo medir a quantidade de decibéis que se escuta por meio do fone de ouvido, por isso o cuidado tem que ser redobrado.
Nas ruas de Belém, é comum nos depararmos com pessoas com o fone de ouvido ligado ao celular, principalmente a juventude.
O vendedor ambulante Douglas Mendes, 21, que trabalha com acessórios para celular, comenta que chega a vender de quatro a sete fones de ouvido por dia – o que ajuda a comprovar o aumento do uso indiscriminado de fone de ouvido. “Eu mesmo não gosto muito de usar o fone de ouvido, às vezes somente que escuto música pelo celular”, acrescentou.
(Diário do Pará)
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