O motorista José Andrade, 56, não sai de casa sem a bênção de São Cristóvão. Padroeiro dos viajantes, motoristas e taxistas, o santo ganhou as ruas de Belém na manhã de ontem para receber homenagens. “Ele é meu guia. Ilumina os caminhos por onde passo. A bênção dele é fundamental para o meu trabalho. Em qualquer momento de aflição, é só se pegar com ele que as portas se abrem”, comentou José, que fez questão de acompanhar com toda a família a procissão rodoviária, após missa no Santuário de Fátima.
Como tradição, a carreata percorreu os bairros de Fátima, Umarizal, Reduto, Centro, Nazaré, São Brás, Marco, Souza até a sede do Sest (Serviço Social do Transporte) e Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do transporte), na avenida Augusto Montenegro, em Icoaraci. Em mais de 90 anos, essa foi a primeira vez que os motoristas estiveram à frente da procissão duas imagens do protetor. “Embora sempre tenhamos acompanhado a procissão organizada pela União dos Chauffers, dessa vez resolvemos nos unir à organização. A procissão segue junto até a Augusto Montenegro com a Independência e depois a gente segue para a nossa sede campestre”, explicou o presidente do Sindicato dos Taxistas de Belém, que também é devoto. “Temos uma profissão árdua que se faz necessária para o desenvolvimento de qualquer cidade. O transporte é fundamental. Assim como qualquer outra profissão, temos o nosso padroeiro, que representa também a nossa fé em Deus”.
Cristóvão significa “aquele que carrega Cristo”. Diz a história que com sua imensa força transporta as pessoas de uma margem a outra de um rio caudaloso. Uma noite transportou um menino, que a cada passo lhe parecia pesar mais. “Mais que um mundo inteiro,” explica Monsenhor Raimundo Possidônio, carregava o próprio Cristo. “A devoção nasce justamente nesse transportar. O serviço prestado às pessoas, à humanidade é o serviço prestado ao próprio Deus que representa uma extensão muito maior que ser, ou não, simples motorista”, destaca o religioso.
Diretor do Sest/Senat, há onze anos responsável pela coordenação da homenagem, Mário Martins acredita que mais que um dia para homenagear o padroeiro, a data representa uma marco para reflexão. “Nós todos precisamos de fé para ter paz, segurança. Sem o coração em paz a gente não vai a lugar nenhum. Hoje é um dia de reflexão sobre como os transportes estão sendo conduzidos. São Cristóvão nos ajuda, mas também precisa da ajuda e do discernimento com a responsabilidade no trânsito”, disse.
De mãos unidas em oração, o taxista Luiz Carlos da Silva, 48, aproveitou a passagem do Santo para agradecer. “Estamos expostos a muitos perigos, não só o stress do trânsito caótico, mas aos riscos da violência. Precisamos nos apegar a alguém. É ele quem nos protege”, acredita.
(Diário do Pará)
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