Todos os dias 10 novos casos de hanseníase são descobertos no Pará. A média é resultado de 3.876 diagnósticos feitos em 2011 e representa uma das taxas mais altas do país, que também segue como referência negativa no mesmo cenário. No ano passado foram registrados 30.298 novos hansenianos, o que deixa o Brasil como o segundo país com mais novos casos por ano no mundo, atrás apenas da Índia, com 150 mil casos. A maior incidência entre a população, em termos proporcionais, está na Amazônia Legal, nos Estados do Maranhão, Roraima, Tocantins e Mato Grosso.
A hanseníase, conhecida durante séculos por nomes pejorativos, carregou sempre consigo um estigma extremamente forte de sujeira e descuido. Era comum que a enfermidade fosse confundida com psoríase, vitiligo, dermatite de contato, elefantíase e outras patologias que apresentam deformações, incapacidades e lesões de pele ou de nervos. Tudo era associado a um mesmo problema, a “lepra”.
Filhos de pais portadores da doença, Edmilson Picanço, presidente do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan). conta que, mesmo três décadas depois da abertura da Colônia de Hansenianos de Marituba ainda existe muito preconceito em relação ao lugar.
“É óbvio que muita coisa mudou durante esses anos, mas a gente não pode negar que o preconceito, causado pela falta de informação sobre a doença e sobre a colônia ainda é grande. Tem muita gente que pensa que a hanseníase é transmitida apenas com a convivência com portadores, mas isso não é verdade. Eu morei anos e anos com meus pais, que eram portadores da doença e eu nunca fui infectado”, garante.
“Dizer que o preconceito contra a colônia foi extinto não é verdade. Diminuiu muito sim, principalmente com as campanhas veiculadas na mídia esclarecendo o que é e como se transmite a doença. Avançamos muito nessa luta e continuamos lutando para que cada vez se esclareça que a hanseníase tem cura e que se acabe qualquer forma de discriminação contra os moradores da ex-colônia”, ressalta o presidente do Morhan.
RELATO
Daniel Falcão, agente de recursos humanos, 50 anos, foi uma das pessoas que precisou enfrentar o repúdio social quando adquiriu a bactéria. “Me orientaram a não contar que era hanseníase. As pessoas já me associavam à doença apenas por eu morar em Marituba, imagine se soubessem do caso”, disse.
Há seis anos, ele percebeu uma mancha na panturrilha e ficou preocupado. Fez todos os testes de sensibilidade, pedindo inclusive para outras pessoas pressionarem o local, ‘cutucarem’ com algo perfurante. Não havia sensibilidade alguma, lembra. Na mesma hora ele pensou na doença que tanto ouvira falar na vizinhança. “O marido da minha mãe teve a doença e apesar de não vivermos todos na mesma casa, visitamos eles com frequência”, diz.
Mesmo com o choque inicial, Daniel não hesitou em procurar uma unidade de saúde e lá recebeu todo o auxílio psicológico para lidar com o caso. “Minha esposa, familiares e psicólogos do hospital Marcello Candia me ajudaram bastante. E consegui fazer o tratamento de 6 meses sem problemas. A medicação foi tranquila. Não transmiti nada nem para minha esposa nem para meus filhos, um dos quais mora comigo”, conta.
Leia a reportagem na íntegra no Diário do Pará
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