Unir pessoas com necessidades semelhantes para alcançar objetivos em conjunto. Obter vantagens comuns por meio da cooperação. Foi com esses valores que milhares de paraenses ingressaram no mercado de trabalho e se tornaram micro empreendedores.
Com o fortalecimento do cooperativismo na região, o Pará se tornou o terceiro, em todo o Norte e Nordeste, com maior arrecadação sindical. Agora, a categoria busca mais amparo legal para a garantia de novos direitos, a fim de que a atividade ofereça outra dinâmica comercial. É o que explicou aos jornalistas, Frank Siqueira e Fábio Nóvoa, o administrador de empresas Ernandes Raiol da Silva, 50 anos, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop - PA).
P: O cooperativismo não é um assunto de fácil domínio até para quem cobre economia, imagine para associações. Qual a perspectiva que você vê para o cooperativismo no Brasil e no Pará?
R: Precisamos esclarecer algumas coisas. Num cenário global, por exemplo, não se vê notícias de cooperativas em crise ou com problemas financeiros. Então aí já podemos ver com clareza que o cooperativismo é um veículo de desenvolvimento econômico, social e muito sustentável. Os EUA têm milhares de cooperativas e a União Europeia também. Lá existem bancos, créditos, universidade, muitas pessoas envolvidas. Já vindo pro Brasil nós percebemos que no centro sul é mais desenvolvido, em razão da educação e do investimento maior nessas regiões, principalmente porque lá tem a cultura do agronegócio, que é por cooperativas e é mais forte. No Norte isso está em desenvolvimento. O cooperativismo não é só uma ferramenta, ele é uma estrutura de negócio onde se resolve problemas sociais com mais agilidade do que as empresas tradicionais porque você agrega muitas pessoas. Então, o cenário no Brasil é muito bom, no Pará é espetacular. Nós temos bilhões que estão sendo investidos no Estado, na parte da agricultura, no transporte, na educação, construção civil. Nesse mesmo rumo o cooperativismo trabalha junto com as três esferas de governo. O que falta para isso figurar com garantia maior é o processo de legalidade, que hoje estamos trabalhando no Pará. Criamos recentemente uma frente parlamentar em favor do cooperativismo, da qual 80% dos deputados fazem parte e temos um projeto de lei desenvolvido pelo cooperativismo. Pegamos várias leis de outros estados e pensamos a nossa. Então ele vem ratificar a nossa atividade, criando um conselho estadual de cooperativismo, onde teremos nove secretarias de governo e nove membros da sociedade civil organizada. O foco principal é trabalhar a educação. O problema de qualquer negócio é a educação formal. Vocês vão ouvir sempre que é culpa de gestão, concordo. No entanto, não há gestão se a pessoa não tiver conhecimento da área, por isso precisamos investir em educação.
P: A legislação brasileira e o aparelho burocrático inibem de certa forma o empreendedorismo. No caso da cooperativa, a legislação brasileira é considerada moderna ou há também entraves?
R: A lei que trata do cooperativismo como negócio é de 1971, já foi alterada diversas vezes, mas ainda é antiga. Precisamos ainda esperar a posição da presidente Dilma sobre a lei das cooperativas de trabalho, que já passou pelo congresso e senado. Ela traz cuidados específicos para mão de obra, por isso ainda precisamos ver se virá ajudar ou não, mas a lei já oferece algumas garantias para o cooperado. Por exemplo, ninguém pode ganhar menos que o piso. Ou seja, o Brasil já sinaliza melhorias de leis para destravar o cooperativismo na sociedade.
P: Como funciona o cooperativismo? Quais os critérios para começar uma cooperativa?
R: A lei diz que cooperativa é uma empresa de pessoas que têm atividades comuns. Exceto advogados, todas as outras atividades com reconhecimento jurídico são permitidas. É necessário, contudo, registro em junta comercial e não em cartório. É muito tranquilo criar uma cooperativa.
P: Quais são os segmentos da economia mais abertos a cooperativas? Ou todos são igualmente abertos?
R: No Brasil, o maior segmento cooperativista está na agropecuária e na agroindústria. Hoje, entretanto, tem crescido também as cooperativas de transporte e saúde. Outro ramo é do crédito. O sistema é completo. Vai do ecoturismo à saúde e o próprio sistema bancário, que é diferenciado, porque os bancos normais remuneram o valor total e contraem despesas. O banco do cooperado não contrai muitas despesas então remunera direto o dinheiro do cooperado. Os juros também são mais baixos. O sistema é equilibrado. Hoje queremos preparar o cooperativismo no Pará para que as empresas respondam e tenham condições de ter escala de produção.
Leia a entrevista completa no Diário do Pará
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