Profissionais formados em instituições de ensino do sul e sudeste do Estado estão sem poder atuar pela impossibilidade de registro junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará (Crea-PA). Apenas os cursos de Agronomia e Engenharia de Minas e Meio Ambiente, da Universidade Federal do Pará (UFPA) estão devidamente legalizados junto à entidade. A informação foi repassada pelo próprio Crea Pará, através de sua coordenação técnica. São cerca de 200 profissionais (de nível superior e técnico) formados na região que estão com processos de registro paralisados.
Sem o registro, o engenheiro não pode “realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, reservados aos profissionais”, explica Valmar Anibal, coordenador técnico do Crea/PA. Por lei, cargos e funções que exijam conhecimentos de Engenharia e Agronomia, na esfera pública (União, Estados e Municípios) somente poderão ser exercidos por profissionais habilitados. Limitações dos formados, sem o Crea, que interfere diretamente no salário, nas promoções e na carreira de um modo geral.
A engenheira Joína Ferreira se formou pela UFPA de Marabá no curso de Engenharia de Materiais, em 2009. Desde então, ela tenta fazer seu cadastro profissional. “Primeiro, houve um problema entre o reconhecimento do curso junto ao Ministério da Educação. Mas hoje o curso está reconhecido e não sabemos o que está acontecendo para o Crea negar nossos pedidos”. A engenheira conta que já perdeu oportunidade de emprego e promoções. “A maioria dos engenheiros sem Crea é contratada como analista”. A diferença salarial chega a mais de 100% para o formado com o registro no Crea.
No caso específico dos formados em Engenharia de Materiais pela UFPA Marabá, o Crea informou que a Universidade ainda está com pendências na aprovação. O Processo 21.030/2011, de cadastramento do curso, recebeu parecer favorável na Comissão de Educação, mas falta “aprovação na Câmara, Plenário e inscrição no SIC no Confea – Conselho Federal de Agronomia e Arquitetura”. Por ano, a universidade oferece 30 vagas para o curso, no campus Marabá. Até hoje nenhum profissional formado conseguiu inscrição no Conselho. A reportagem não conseguiu contato com a coordenação local do curso, por causa da greve na UFPA.
(Diário do Pará)
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