Os professores das universidades federais em greve realizaram vigílias na noite de ontem para acompanhar as negociações entre o Comando Nacional da Greve e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, durante reunião em Brasília. O governo apresentou a terceira proposta que deve ser discutida em assembleia nesta sexta-feira. A expectativa é que dessa vez a negociação seja satisfatória. As 61 instituições em greve entram no 75º dia de paralisação. A vigília reuniu dezenas de professores que debateram as proposições do governo federal junto aos anseios da categoria.
Velas, vídeos e muita esperança. Para os professores que apoiam o movimento, a surpresa de uma greve tão forte. “O movimento é necessário e já era inevitável. Desde 2010, nós reivindicávamos essa situação. A greve foi nosso último recurso. A gente achava que a negociação ia ser mais rápida, pela força da greve. É lamentável. Estou triste é com o descaso deles conosco”, relata Conceição Cabral, professora do curso de Biologia. Insatisfação que é compartilhada entre os grevistas. “A greve vinha sendo sinalizada e a gente realmente acreditava que seria atendida. Agora estamos esperando que hoje, finalmente, resolvamos”, afirma o professo Clei Souza, do curso de Letras.
As vigílias pretendem apenas lembrar ao governo que o movimento está de olhos aberto, segundo a diretora geral da Associação de Docentes da UFPA, Rosimê Meguins. “Temos duas representantes da UFPA junto com representantes de outras universidades federais fazendo a vigília na frente do Ministério do Planejamento, em Brasília, que vão acompanhar a movimentação, apesar de não poderem participar da reunião”, conta. A expectativa é que dessa vez as reivindicações sejam atendidas. “Desde 2008 até agora não temos nada e eles ainda querem mais parcelamento, não queremos falar em escalonamento e queremos o equilíbrio entre as categorias”, defende.
ACORDO
Ainda na noite de ontem, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão informou que a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) aceitou assinar o Termo de Acordo que assegura o reajuste aos professores federais. O comunicado foi feito pelo secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, após reunião com as três entidades que representam os docentes do Magistério Superior e do Ensino Básico, Técnico, e Tecnológico (EBTT).
O Andes e Sinasefe, as outras duas entidades representativas, informaram que a proposta não havia sido aprovada pelas assembleias realizadas nos últimos dias. O secretário, contudo, garantiu que não haverá uma nova contra-proposta e esse é o acordo possível. O acordo será assinado com o Proifes e enviado até o dia 31 como projeto de lei ao Congresso Nacional.
REAJUSTE
O termo proposto pelo governo federal assegura aos docentes um reajuste de pelo menos 25% sobre a remuneração de março, quando houve aumento de 4%. Para os professores titulares, o índice pode atingir até 40%. Os valores serão pagos em três parcelas, nos anos de 2013, 2014 e 2015. Pela tabela apresentada pelo Ministério do Planejamento e pelo Ministério da Educação, o salário de um professor titular, com dedicação exclusiva, passa de R$ 12.225,25 para
R$ 17.057,74.
(Diário do Pará)
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