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Eleitor tem o desejo de um futuro melhor

A cada dois anos a população brasileira apta ao voto tem aumentado em média 4%. Este ano, informar a Justiça eleitoral, os eleitores alcançaram a marca dos 140,64 milhões de brasileiros. A maioria mulheres entre 25 e 34 anos, o equivalente a 51,28% da pop

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A cada dois anos a população brasileira apta ao voto tem aumentado em média 4%. Este ano, informar a Justiça eleitoral, os eleitores alcançaram a marca dos 140,64 milhões de brasileiros. A maioria mulheres entre 25 e 34 anos, o equivalente a 51,28% da população total do país. No Pará, apesar das mulheres não representarem a maioria, o perfil se mantém aproximado. O percentual de eleitoras que poderá comparecer às urnas no dia 7 de outubro no Estado equivale a 49,91%, contra 50,03% de eleitores do sexo masculino.

Professora de educação física, 40 anos, Antônia dos Santos considera o direito ao voto feminino - que em 2012 completou 80 anos-, uma ferramenta indispensável para as mudanças socioeconômicas. Ela recorda cada uma das 22 eleições das quais participou e das duas nas quais precisou justificar o voto.

“Voto desde os 18 anos, mas confesso que no início não tinha muita consciência do que estava fazendo. Foi a partir das eleições municipais de 1998 que adquiri essa maturidade. Nas duas únicas vezes em que não pude votar senti um grande vazio. A política, às vezes, nos faz desanimar, mas é rápido”, afirma a eleitora, que, mesmo após decepções, mantém a esperança de dias melhores para o futuro da única filha, de seis meses.

“Vou às urnas com a preocupação de eleger candidatos comprometidos com o futuro do país. Penso na minha filha e nos netos que virão e assim devo continuar votando. Para mim, o voto não é uma obrigação é verdadeiramente um direito. Pretendo, pelo menos, triplicar esses papeizinhos”, diverte-se Antônia, mostrando os comprovantes eleitorais guardados desde 1990, quando votou pela primeira vez.

Quem também fez a estréia na escolha dos candidatos aos 18 anos foi Gilma Raposo. Na faixa etária dos 50 anos, a funcionária pública amazonense que sempre votou no Pará, diz enxergar com nitidez a política brasileira. “Entendo que o voto tem o poder de nos tornar livres. É através dele que cada um, individualmente, expressa sua vontade.

Mas não dá para negar que o tempo também nos faz cansar e ficar desacreditados, não na política, mas nos candidatos que se apresentam”, comenta a eleitora que, apesar de acompanhar de perto o cenário político, mostra sinceridade ao admitir que, se facultado lhe fosse, talvez deixasse de exercer o direito ao voto.

“Temos inúmeras demandas como a reforma tributária e do código penal, mas eles (políticos) passam todo o mandato apurando a corrupção deles próprios e não passa disso”, analisa. Ansioso para a chegada das próximas eleições, o estudante Matheus Melul, 16 anos, prefere se manter alheio ao pessimismo que diz enxergar nos mais velhos.

ESPERANÇA
“Acho importante participar desses momentos de decisão e ainda tenho esperança de que as coisas podem mudar. Não sou obrigado a votar, mas quis tirar o título para já ir me acostumando com o processo ”, diz. “Ainda não decidi, acho que minha família vai ter peso na hora da escolha e espero do candidato preocupação com saúde e educação”.

Segundo o Trubunal Superior Eleitoral (TSE), Matheus faz parte e uma minoria cada vez maior. O número de jovens eleitores brasileiros caiu nos últimos quatro anos. Os aptos a votar na faixa etária dos 16 aos 24 anos saiu dos 18,95%, em 2008, para 17,67% em 2012. No Pará, apesar da redução similar, o grupo supera o índice nacional e alcança 22,13% do eleitorado total do Estado que continua sendo composta em sua maioria por pessoas de 25 a 44 anos, 45,87% do total.

O universitário Ricardo Wanzeller, 25 anos, não se acomoda. Apesar da pouca crença nas mudanças políticas e sociais via processo eleitoral, o rapaz não abre mão de participar das dinâmicas políticas. “Para mim, as mudanças sociais não são conquistadas através do voto, mas as eleições são importantes na medida em que se constituem como um espaço, mesmo que pequeno, para os movimentos sociais. Ao longo da história, as mudanças sempre foram conquistadas através da indignação e da organização em movimentos sociais, isso sim faz a diferença”.

“A juventude está muito afastada da política talvez porque exista uma associação imediata entre política e corrupção por conta dos sucessivos escândalos. Precisamos desconstruir essa ideia naturalizada e acreditar que outra política pode ser feita”.

Aos 86 anos, aposentado faz questão de ir às urnas

Os eleitores com mais de 60 anos no país superaram o índice dos jovens de 21 a 24 anos (9,28%) e este ano respondem por 16,06% do eleitorado, diz o TSE. Aqueles cujo o voto é facultado, idade superior a 70 anos, também seguem escala de ascensão: saíram dos 6,43%, em 2008 para 7,23%, este ano. No Pará, pouco mais de 10 milhões de pessoas se enquadram nesse perfil.

Caso do aposentado Teodomiro Ferreira. Os recém-completados 86 anos nunca o fizeram parar. Do primeiro voto, aos 22 anos, até o plebiscito do ano passado, ele jamais deixou de votar. “Não sou mais obrigado, mas voto porque é um voto que decide o candidato que vai levar”, resume o eleitor que, apesar de ter votado a primeira vez graças ao patrão que se candidatou à prefeitura de Igarapé Miri, município onde morava na época, afirma que em todos esses anos jamais “vendeu” o voto. O aposentado, em dia de eleição cumpre um ritual. “Acordo cedo e depois do café vou votar. Acho que não vai dar pra continuar votando muito tempo por causa da vista, mas este ano vou, com certeza”.

Na avaliação do cientista político Edir Veiga, o cenário atual demonstra que a idade tem se mantido proporcional ao interesse político. Diferente de 20 anos atrás, a juventude hoje tem permanecido pouco animada. “Apesar do caráter contestador peculiar à fase, os jovens estão mais céticos em relação à política. Diferente dos anos 80, quando se viveu uma forte crise econômica e se remodelava o processo democrático, a estabilidade macroeconômica de hoje contribui para esse desinteresse”, explica.

“Os idosos tendem a se manter no processo eleitoral pela sensação de sentirem-se ativos e úteis e, assim como os jovens de 16 anos, formam uma parcela importante a quem os candidatos devem dispensar atenção não apenas do ponto vista estratégico, como na formulação de políticas públicas”.

(Diário do Pará)

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