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Sangue de cordão umbilical ajudará menino

O nascimento do menino Walace Rafael nesta terça-feira (7), no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em Belém, é uma dupla celebração pela vida. Pela primeira vez na instituição foi retirado o sangue do cordão umbilical placentário aparentado, para ajud

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O nascimento do menino Walace Rafael nesta terça-feira (7), no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em Belém, é uma dupla celebração pela vida. Pela primeira vez na instituição foi retirado o sangue do cordão umbilical placentário aparentado, para ajudar a salvar a vida de um irmão de Walace, que luta contra leucemia aguda no Hospital Ophir Loyola. A coleta de sangue do cordão umbilical placentário aparentado é um avanço na medicina, já que após o parto esse material geralmente é descartado, mas pode ser a esperança de cura para várias doenças, como leucemias, linfomas e mielodisplasias. O cordão umbilical une o feto à placenta, sendo responsável pela nutrição e oxigenação do bebê durante a gestação.

A coleta foi resultado da parceria entre a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará e a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa). A mãe das crianças, Cibele Cardoso Soares, 22 anos, é pastora evangélica e reside no município de Santo Antônio do Tauá, no nordeste paraense. Ela contou que a doença no primeiro filho foi diagnosticada há seis meses, quando ela já estava na segunda gravidez. Cibele foi aconselhada por uma enfermeira a conversar com uma médica sobre a possibilidade de curar o filho com o sangue do cordão umbilical da segunda gestação. “Estou muito confiante e segura que vai dar tudo certo”, disse Cibele antes do parto.

Após todos os testes e exames feitos pela equipe do Hemopa foi constatada a compatibilidade, e marcada a cirurgia de emergência na Santa Casa. Segundo a enfermeira Elen Elmescany, responsável pelo Banco de Coleta de Sangue do Cordão Umbilical do hospital, há duas formas de o paciente receber o sangue do cordão umbilical placentário. A primeira é a não aparentada, quando o sangue é coletado do cordão umbilical de pessoas sem grau de parentesco, bastando a grávida estar em bom estado de saúde e apresentar as características de doadora, estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Ministério da Saúde. Entre aparentados acontece quando a própria mãe tem a possibilidade de salvar a vida de um filho que necessita de um transplante de medula óssea.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), a chance de um brasileiro localizar doador em território nacional é 30 vezes maior em relação à possibilidade de encontrá-lo no exterior, por conta das características genéticas. O doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 30% das famílias brasileiras. Para 70% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo, a partir dos registros de doadores em bancos públicos de sangue de cordão umbilical. Com a Redome, as chances de transplante para pacientes que não possuem um doador aparentado aumentam consideravelmente, bem como o número de transplantes a serem realizados.

Atualmente, há 10 bancos do gênero espalhados pelo país, além do Hemopa. Os outros estão implantados em Fortaleza (CE), Recife (PE), Brasília (DF), Lagoa Santa (MG), Centro (RJ), Ribeirão Preto (SP), Campinas (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). Quem pode participar do programa são gestantes com idade acima de 18 anos, e que tenham, no mínimo, duas consultas pré-natais documentadas; idade gestacional igual ou superior a 35 semanas; bolsa rota (rompida) há menos de 18 horas; trabalho de parto sem anormalidades e ausência de processo infeccioso ou doença durante a gestação que possa interferir na vitalidade placentária. (Agência Pará)

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