A falta de regulação de um leito em tempo hábil teria sido a responsável pela morte de T.R, de 12 anos, vitimada por um aneurisma, por volta das 14h15 de ontem, no Pronto Socorro da 14 de Março. Quem afirma é Síria Pimentel, integrante titular do Conselho Estadual de Saúde, que esteve no início da noite de ontem com outras quatro conselheiras para uma vistoria na unidade de saúde. “Durante todo o tempo que passamos no PSM não havia absolutamente ninguém na central de regulação de leitos, e por causa dessa irresponsabilidade uma criança morreu” disse, revoltada, a conselheira.
A situação, segundo ela, é a pior possível. “Essa criança chegou aqui na quinta-feira pela manhã, mas só acionaram a Sespa para arranjar um leito no domingo por volta das 18h. Ontem (segunda) pela manhã, disponibilizamos um leito no Hospital Metropolitano e outro na Ordem Terceira, mas a criança não foi transferida”, denuncia.
Durante a vistoria, as conselheiras teriam sido informadas de que a família da criança não teria aceitado inicialmente os dois leitos oferecidos, fato que ainda será melhor apurado.
O diretor clínico Cesar Amorim informou para as conselheiras que a regulação do leito não pôde ser feita em razão de a central estar fechada. Uma funcionária do PSM teria informado que a central não ficava fechada e que os responsáveis chegavam por volta das 19h, “mas que até esse horário ninguém ainda havia aparecido. Estávamos lá”, diz a conselheira.
PROBLEMAS
A conselheira afirma que o setor de regulação do PSM jamais poderia ficar fechado ou sem linha de telefone, ainda que os servidores estejam em greve. “É na central que avisamos dos leitos disponíveis. Cadê os DAS da prefeitura para serem colocados na central?”, indagou.
O conselho faz hoje vistoria no PSM do Guamá. Uma parente da menina, que preferiu não se identificar, disse ao DIÁRIO que, desde que a menor foi internada, a família buscou leitos no sistema e negou que tenham recusado leito oferecido pelo Estado. “Imagina! Se estávamos correndo atrás de um hospital para tirar a menina dali, como que iríamos negar o leito? Isso é mentira. A minha sobrinha morreu foi por irresponsabilidade no atendimento”, denuncia.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) explicou que não procede informação de que a jovem T.R.R.R, 12, não teria sido assistida no Hospital de Pronto Socorro Mário Pinotti. O diagnóstico inicial da paciente apontado pelo neurologista que a atendeu, diz a nota, indicava Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico extenso. “Segundo o prontuário de atendimento da paciente, ela foi atendida pela equipe médica, recebeu medicação, foi submetida a exames e foi cadastrada na lista de prioridades, para transferência a um hospital especializado”. A Sesma diz que a equipe médica avaliou o estado da paciente como grave, mas estável.
(Diário do Pará)
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