A greve dos professores da Universidade Federal do Pará (UFPA) chega ao seu 84º dia ainda sem perspectiva de final. Ontem, como forma de chamar atenção para a paralisação que continua na maioria das instituições federais do país, manifestantes bloquearam o prédio da reitoria nas primeiras horas da manhã, impedindo a entrada de servidores, pró-reitores e até do reitor, Carlos Maneschy.
O movimento pede o retorno das negociações por parte do governo federal e mantém como principais reivindicações a estruturação da carreira e a melhoria nas condições de trabalho.
Na última sexta-feira, o governo federal considerou encerradas as negociações após a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) ter aceitado a oferta de reajuste salarial, que varia entre 25% e 40%, a ser aplicado em três anos.
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes), que representa a maior parte dos professores, no entanto, reivindica propostas acerca de progressão de carreira, gratificações e avaliação de desempenho que não teriam sido contempladas pelo acordo e, por isso, recomendou a continuidade da greve.
“A proposta do governo de reajuste em torno de 40% atende a um mínimo de 5% dos professores federais. Para a base que representa a maioria dos 95% da categoria, o reajuste seria de 20% daqui a três anos. Considerando a inflação do período, o reajuste, na prática, giraria em torno de 10% parcelado nesses três anos, o que não repõe as nossas perdas acumuladas no período”, explicou o diretor da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa), Gilberto Marques. A entrada do prédio só foi liberada por volta das 18h.
Com reunião marcada com representantes dos estudantes que também se juntaram aos grevistas, Maneschy chegou ao prédio da reitoria por volta das 10h, mas remarcou para a próxima terça-feira o encontro, que deve discutir as reivindicações estudantis.
REUNIÃO
“Até o reitor foi impedido de entrar na reitoria. Como tenho outros compromissos na agenda, a reunião ficará para outro dia. Respeito a manifestação dos professores, mas trata-se de uma negociação nacional, cabendo à reitoria apenas mediar esse impasse representando um ponto de convergência para que a solução seja encontrada o mais breve possível”, argumentou o reitor, antes de ser interrompido pela manifestação dos estudantes que cobravam a manutenção da reunião.
“É preciso esclarecer que o auditório está livre para a nossa reunião. Não é novidade para o reitor a nossa pauta de reivindicações. Além do inchaço de alunos nas salas de aula sem o devido acompanhamento, sofremos com seríssimos problemas de infraestrutura e assistência estudantil”, resumiu frustrado Ricardo Wanzeller, da executiva da Assembleia Nacional dos Estudantes Livre. Somente na UFPA, cerca de 40 mil universitários estão sem aulas devido à greve. Outros 1.886 estudantes matriculados na Escola de Aplicação da instituição, que cursam os ensinos fundamental e médio, também foram prejudicados com a greve.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar