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Herdeiros até das grandes paixões

Aos dois anos de idade, muitas das palavras pronunciadas pelo pequeno Murilo Ramos ainda precisam de tradução. Na fase de aprendizagem da fala, algumas das palavras ditas acabam saindo um pouco enroladas. Uma delas, porém, pode ser entendida perfeitamente

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Aos dois anos de idade, muitas das palavras pronunciadas pelo pequeno Murilo Ramos ainda precisam de tradução. Na fase de aprendizagem da fala, algumas das palavras ditas acabam saindo um pouco enroladas. Uma delas, porém, pode ser entendida perfeitamente assim que pronunciada sempre em tom agitado. “Gooooool!”.

A desenvoltura para utilizar a expressão tão característica do futebol não é à toa. Murilo já é a terceira geração de apaixonados pelo esporte preferido do pai Márcio Ramos. Assim como Murilo, os irmãos Arthur Felipe, de 17 anos, e Pedro Henrique, de 15, já carregam o gosto pelo esporte desde o início da vida. “Eu sempre joguei em clube e desde pequenos eles sempre me acompanharam. Foi uma influência espontânea que acabei passando para eles”, lembra o pai Márcio.

Foi quando os filhos mais velhos ainda tinham, aproximadamente, a mesma idade do caçula Murilo que o predomínio do esporte teve início. A primeira bola dos meninos foi entregue ainda nos primeiros meses de vida, assim como as camisas, as toalhas e os adereços dos times compartilhados pela torcida de todos: o Paysandu e o Fluminense. “Eles (Arthur e Pedro) chegaram a acompanhar todos os jogos do Paysandu quando ele estava na série ‘A’. O futebol já foi tema de aniversários na infância, eles aceitavam bem. Hoje, quando estou assistindo futebol na televisão, o Murilo, que é o mais novo, já para pra ver junto comigo, grita gol... Já está assimilando por ele mesmo”.

Apesar do assunto sempre presente em reuniões de família e conversas, foi a partir de atitudes dos próprios filhos que Márcio começou a perceber a prevalência do esporte entre as predileções dos filhos. “Tinham determinados momentos em que eu não podia levá-los ao Mangueirão (Estádio Estadual Jornalista Edgar Campos Proença) e eles me cobravam a ida ao estádio”, lembra ao destacar a importância do esporte em geral na criação dos filhos. “Procurei passar para eles que o esporte é uma forma de educar, de competir sem agredir e eles assimilaram isso. Começou como uma brincadeira e perdura até hoje”.

Aos 17 anos, Arthur Felipe não deixa de praticar algum esporte. Ao longo da vida, já passou por vários deles. No início foi o futebol, como não poderia deixar de ser, mas depois, veio também o vôlei, o basquete, a musculação. Hoje, o estudante não consegue imaginar sua vida sem alguma atividade física. “Foi o incentivo do meu pai que colocou a gente nesse mundo. Se, hoje, paro para assistir às olimpíadas, é por influência dele”, acredita. “Acompanhamos o Fluminense desde que me entendo. Sem isso, acho que não daria para ficar”.

Das lembranças da infância, as que mais marcam a vida do primogênito também estão ligadas ao futebol. “O ano de 2004 marcou muito porque acompanhamos todos os jogos do Paysandu. Eu lembro da subida de rampa no Mangueirão...”, recorda. “A gente chegava a sair mais cedo da escola para assistir o jogo. Nós sempre participávamos disso”.

Assim como o irmão mais velho, Pedro Henrique mantém a paixão pelo futebol marcada também em seu dia a dia. Todas as segundas, terças e quintas-feiras são dedicadas ao futebol por pelo menos duas horas ao dia. Integrante da seleção de futsal da escola onde estuda e na disputa pelos Jogos Estudantis Paraenses (JEPS), ele também não esconde o apreço pelo esporte. “É muito bom ver a torcida... não tem coisa melhor. O esporte sempre me influenciou e não consigo me imaginar sem ele”, afirma. “Desde pequeno via o papai assistindo futebol e fui ganhando cada vez mais paixão. Sempre gostei”.

AMOR PELA MÚSICA

Também foi das cenas presenciadas ainda na infância que o bacharelando em viola clássica, Armando Filho, recebeu a maior influência de seu pai, Armando Mendonça. Nas lembranças do filho, as práticas matinais do pai marcam, até hoje, seu apreço pela música. “Tudo acontecia espontaneamente, lembro sempre dele (pai) tocando violão em casa”, traz à memória. “Lembro de acordar de manhã, passar pela cozinha e ver meu pai tocando violão”.

A música esteve presente na vida de Armando Filho desde sempre. Em cada reunião de família ou brincadeira com o irmão, a sonoridade dos instrumentos tocados pelo pai e pelos tios se impunha naturalmente. Do convívio, o estudante adotou a música como profissão. “A nossa infância foi sempre muito preenchida pelas serestas. Não lembro de nenhum momento da minha vida sem a música. Mas foi na adolescência que eu decidi que queria seguir isso mesmo. É uma paixão”.

A escolha do filho mais novo foi recebida por Armando Mendonça com alegria. Para ele, que sempre procurou deixar os filhos à vontade para experimentar os instrumentos musicais que sempre manteve em casa, a música teve uma influência muito positiva na vida dos filhos. “Conseguimos enraizar a música desde cedo neles. Nunca tivemos problema em acordar os filhos cedo, quando eram crianças, porque eles já acordavam com música. Eu sempre colocava uma eletrola para tocar, então, já começávamos com música”, lembra. “Eu costumo dizer que tenho uma banda dentro de casa, porque tenho muitos instrumentos. Sempre deixei eles à vontade. Apesar de perturbar (quando os filhos estavam na fase em que tocavam rock), sempre incentivei. A música é agregadora e ela teve influência na motivação deles, nos relacionamentos com as pessoas”.

Com o gosto pelas melodias, qualquer reunião da família já vira um show à parte. Ainda mais com a adesão dos filhos que, ainda hoje, mantém vivo o amor pela música. “Qualquer reunião para mim, se não tiver música, perde o valor”, acredita. “Quando vejo eles seguindo esse meio sinto uma realização pessoal. Eu andei demais para conseguir uma vaga para estudar música e não consegui. Então me realizo neles”.

Hoje, é o caçula de Armando, Thales Branche, quem toca o violão, instrumento no qual começou a ter afinidade quando ainda criança. ‘Eu cresci num ambiente de música e sempre acompanhado pelo olhar do papai que gosta que a gente se dedique aos instrumentos”, frisou.

Aos 25 anos de idade, o filho de Armando lembra que quando era criança ia com o pai para Itaituba onde sempre participavam de serestas. “Quando tinha 12 anos de idade comecei a tocar violão popular”, ressalta. “Eu cheguei até participar de um grupo musical (chamado de Verbus) e quando fui estudar na Bahia, meu pai me substituiu e quando eu vinha à Belém chegamos a tocar juntos”, completou.

Para Thales olhar o pai admirando ele enquanto toca o instrumento é algo que não consegue descrever.

(Diário do Pará)

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