Ao comentarem o resultado do inquérito policial que investigou a morte do garoto Kelvys Simão dos Santos, de 2 anos, a diretora geral e o diretor clínico do hospital Abelardo Santos, Vera Cecim e Wagner Andrade, respectivamente, ressaltaram a necessidade de a comunidade de Icoaraci procurar os serviços de ouvidoria, instalados há quase um ano na instituição, para expor demandas, reclamações, sugestões e elogios sobre o atendimento no hospital.
“Só no setor de urgência chegamos a atender, em média, 600 pessoas por dia. Aqui não falta remédio, não faltam médicos e todos os nossos funcionários batem ponto, que é digital. Temos controle de tudo o que acontece”, afirmou Vera Cecim, em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (13), ao lamentar as especulações em torno da morte do menino Kelvys, em 1º de junho deste ano.
Segundo os gestores, o fato chegou a comprometer a imagem do hospital Abelardo Santos e até a saúde de alguns funcionários envolvidos na história. “Uma de nossas médicas chegou a gastar mais de R$ 2 mil com advogado para se defender de uma acusação desmedida de negligência, mas desde o início da polêmica já sabíamos do real conteúdo da verdade: a que consta no atestado de óbito emitido por nossa equipe e que foi um dos itens decisivos para a conclusão da investigação, inclusive a que foi feita após a exumação do corpo da criança”, afirmou Vera Cecim.
Segundo ela, o inquérito já concluído pela Polícia Civil e apresentado dia 27 de julho deste ano deixa bem claro: a criança morreu por insuficiência respiratória e broncopneumunia, às 19h40 da noite de 1º de junho deste ano, conforme o atestado de óbito emitido pelo hospital Abelardo Santos, no distrito de Icoaraci.
Defesa
Vera Cecim e Wagner Andrade não falaram sobre os comentários da família do menino e de outras testemunhas acerca dos fenômenos que teriam ocorrido no velório. Eles, porém, defendem os profissionais do hospital que atenderam a criança, já muito debilitada, desidratada e com febre alta havia mais de dois dias em função da broncopneumonia.
“Tudo foi feito para salvá-la. Todos os procedimentos estão reunidos no processo, que também está sob a guarda do Ministério Público. Em nenhum momento o hospital esteve omisso de prestar esclarecimentos, mesmo para quem acha que esse assunto já rendeu lucro. Para nós, não. A repercussão negativa foi devastadora, pois os profissionais sempre são os últimos a serem ouvidos. E quando são, né?”, disse Vera Cecim, ao chamar a atenção da comunidade em geral para que cuidem melhor de crianças e idosos.
“Diariamente aparecem casos aqui de crianças febris há mais de dois dias. A mãe ou o pai vem e diz que na Unidade Básica não havia médico. Isso é inadmissível. Às vezes, para chegar aqui, precisam pegar ônibus e às vezes dinheiro que não tem. Isso acontece mais do que a imprensa imagina. Por isso o hospital anda tão sobrecarregado, mas continuamos atendendo e preciso que a imprensa seja cautelosa com as especulações. Sou profissional de saúde e me pontuo pela ciência. Não sou adepta de boatos ou de afirmações sem comprovação”, afirmou a diretora do hospital Abelardo Santos.
Vera lembrou ainda que, com a recente inauguração do Complexo de Reorientação de Fluxo com Acolhimento Humanizado, o hospital tem recebido, mediante protocolo, as queixas dos usuários que demandam os serviços de urgência e emergência, visando identificar os que necessitam de atendimento médico imediato. “É um instrumento de ordenação e orientação da assistência, um sistema de regulação da demanda dos serviços”, disse a diretora.
Para evitar mortes como a do menino Kelvys, Vera Cecim recomenda que famílias com crianças e idosos em casa se empenhem mais na prevenção de doenças, agravos e acidentes, e procurem as Unidades Básicas ao menor sinal de febre ou outro desconforto. Devem também evitar a acomodação, a automedicação e outros métodos curativos populares, sem a devida comprovação científica, que podem colocar em risco a vida dos pacientes. (Agência Pará)
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