Conhecer a realidade das comunidades quilombolas - e como eles lidam com as suas próprias adversidades - para, a partir deste cenário, desenvolver estratégias para levar mais saúde e informação para a população. Foi este caminho que a professora de enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Vera Lucia Gomes de Oliveira, resolveu trilhar ao fazer uma das primeiras teses de mestrado em enfermagem produzidas na região Norte do país.
Com o tema “Caminho das Pedras: cuidar cotidiano em situações de urgência e emergências em comunidade quilombola da Amazônia Paraense”, Vera Oliveira abriu, nesta segunda-feira, 13, a Semana de Defesa de Dissertação do Mestrado Associado em Enfermagem, realizado pela Uepa em parceira com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). As teses versam sobre a Enfermagem no contexto da sociedade amazônica.
“O que a gente percebe é que por conta da ausência de informação e dificuldade de acesso à rede pública de saúde, nestas comunidades quilombolas as pessoas acabam tratando todos os seus problemas guiadas pelo senso comum e quando procuram ajuda médica, já estão em estágio avançado da doença, o que torna mais difícil o tratamento. Não diferenciam uma situação de urgência ou de emergência”, afirmou.
O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem é vinculado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e desenvolvido em associação com a Ufam. Participaram do programa 12 bacharéis em Enfermagem, sendo seis capacitados pela Uepa e seis pela Ufam. O programa possui duas linhas de pesquisa: A Enfermagem em saúde pública e epidemiologia de doenças na Amazônia e a educação e tecnologias de enfermagem para o cuidado em saúde a indivíduos e grupos sociais.
Durante a cerimônia de abertura, a reitora da Uepa, Marília Brasil Xavier, falou sobre o avanço que a universidade vem alcançando em prol do desenvolvimento do Estado. “Já são 25 doutores em Enfermagem e agora estamos formando mestres nesta área. É um capítulo importante na história de vida pessoal destas pessoas, mas é um passo ainda maior na história da universidade, na história do Pará e para produção de conhecimento”, afirmou a reitora. A coordenadora do mestrado, Mary Elizabeth de Santana, destaca que um dos grandes diferenciais do curso está justamente no fato da produção científica ser voltada para as especificidades da realidade amazônica.
O resultado deste investimento já começa a ser sentido pela população. A produtora rural Vívian Cardoso, de 31 anos, deixou a sua comunidade quilombola, localizada na área rural de Ananindeua, para assistir a apresentação de um trabalho que ela, a partir da sua própria história, ajudou a construir. “A minha vida mudou muito desde que começou o projeto na comunidade. A professora me explicou direito o que era urgência e o que era emergência, o que eu poderia tratar com as minhas ervas e o que precisava de uma atenção maior de verdade. Foi graças a este atendimento que hoje minha filha de 4 anos se salvou de uma crise muito séria e está fazendo tratamento de asma”, afirmou. A Semana de Defesa de Dissertação do Mestrado Associado em Enfermagem segue até o dia 16 de agosto na sala de vídeo do Campus da Uepa de Enfermagem, no bairro do Guamá.
(Ag. Pará)
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