A greve dos médicos e servidores da saúde do município de Belém está sobrecarregando o atendimento nos hospitais da rede pública de saúde. O caso mais grave é o do Hospital de Clínicas Gaspar Viana, que está atendendo dentro da capacidade de 245 leitos, mais nove destinados exclusivamente para emergências cardiológicas. Segundo a diretora do Hospital, Ana Lídia Cabeça, nesta terça-feira (14) a situação chegou ao estado mais crítico.
Ana Lídia alega que o hospital está procurando atender todos os casos que estão sendo encaminhado dos dois prontos-socorros da capital, mas os atendimentos estão sendo feitos de forma inadequada, já que o Gaspar Viana é direcionado para emergências cardiológicas e psiquiátricas. “Essa situação nos coloca como reféns da deficiência da rede municipal. Somos uma unidade de referência cardiológica e psiquiátrica, e quem precisa deste atendimento está sendo prejudicado”, explica a diretora.
Ainda de acordo com a diretora, os nove leitos destinados à emergência para pacientes em observação estão ocupados por pacientes que aguardam uma vacância dos 245 leitos destinados à internação. “Estamos correndo o risco de não termos capacidade de atendimento para os pacientes de nossas referências. Chegamos a uma situação alarmante. A greve está prejudicando inclusive quem já está internado, e os médicos estão ficando sobrecarregados, já que o paciente que chega ao hospital em estado de gravidade tem que ser atendido”, assevera Ana Lídia.
O Hospital de Clínicas Gaspar Viana é referência estadual em psiquiatria, cardiologia e nefrologia e oferece consultas e internações em clínica médica, clínica cirúrgica, clínica pediátrica e clínica ginecológica e obstétrica, voltadas prioritariamente a pacientes que se encaixam no perfil das novas referências.
LIMITE
A mesma situação está sendo enfrentada pelo Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), que dispõe de 219 leitos operacionais e é dotado de um Centro de Tratamento de Queimados, com 20 leitos, o primeiro da região Norte do país.
A situação preocupa o secretário de Estado de Saúde Pública (Sespa), Hélio Franco. Segundo ele, o Estado tem uma rede com capacidade para atender pacientes, cada uma dentro de sua especialidade, e a falta de atendimento na rede municipal vem desencadeando uma situação “caótica” nestas unidades, que pode se agravar caso não haja solução e finalização do movimento grevista. “Esperamos que esta situação tenha um final, pois ela vem sobrecarregando os profissionais dos hospitais do Estado, prejudicando, sobretudo, a população que necessita de atendimento médico”, diz.
Os médicos da saúde municipal estão em greve desde o dia 20 de junho. Os servidores da saúde decidiram aderir ao movimento a partir do dia 1º de agosto. Os atendimentos em postos e unidades de saúde estão afetados, mas todas as doze categorias envolvidas na paralisação afirmam que mantêm 30% dos profissionais de plantão para atender os casos mais graves. (As informações são da Agência Pará)
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