Cinco dias depois do confronto que envolveu a Guarda Municipal de Belém e estudantes que protestavam contra o aumento da tarifa do transporte público na capital, a classe estudantil voltou às ruas, na manhã de ontem, em um novo protesto. A exemplo do último ato, os alunos marcharam da escadinha do cais em direção ao prédio da prefeitura contra o aumento de 10% das tarifas de ônibus na Região Metropolitana de Belém.
A caminhada começou por volta das 10h da manhã. Organizados com faixas, bandeiras e carro som, cerca de 700 jovens - de diferentes instituições de ensino superior e escolas da rede pública – ocuparam a avenida Boulevard Castilho França, interditando o trânsito no local por cerca de 30 minutos até a chegada ao Palácio Antônio Lemos. Eles foram acompanhados de perto por policiais militares e guardas municipais.
“O nosso ideal hoje [ontem] é conseguir marcar uma audiência pública com o prefeito para discutirmos o aumento que foi feito sem nenhuma consulta à sociedade, mas não deixa de ser uma resposta à truculência da Guarda Municipal, que, na última quinta-feira, reprimiu o nosso movimento. Em momento nenhum vamos medir forças com a guarda, essa nunca foi nossa intenção”, disse o coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Jorge Lucas Neves.
Diferente do último protesto, que acabou com dez estudantes e doze guardas feridos, dessa vez não houve conflito direto. Um rápido tumulto entre jovens de escolas ‘rivais’, que acompanhavam o ato, ocorreu logo no início da marcha, mas foi ligeiramente contornado pelas lideranças estudantis que pregavam união no movimento. “Infelizmente, existem pessoas que não vieram para participar do protesto, apenas bagunçar. A nossa luta é unificada contra esse aumento abusivo da tarifa. Viemos às ruas porque não nos sentimos representados e a única forma de sermos vistos é essa”, declarou Daniel Mescouto, presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Pedro Amazonas Pedroso. Durante toda a manifestação, o grupo da escola manteve-se afastado dos demais estudantes.
Na prefeitura, uma comissão formada por oito estudantes foi recebida pela diretora de gabinete, Helen Zaparoli, em uma reunião que durou cerca de duas horas. Um forte esquema de segurança foi montado com viaturas policiais e guardas municipais. Ao meio-dia, os estudantes que permaneceram fora do palácio resolveram interditar, por cerca de 10 minutos, a avenida 16 de Novembro, como forma de pressionar a negociação. Ao fim da reunião ficou decidido que a prefeitura tem até a sexta-feira (17) para se posicionar em relação ao pedido de audiência pública dos estudantes para discussão dos critérios de aumento da passagem de ônibus.
(Diário do Pará)
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