Continua estável o estado de saúde de Maria de Fátima Guedes, 51, vítima de escalpelamento na terça- feira (7), em Melgaço. As cirurgias de enxertos devem começar na sexta-feira (17) ou na próxima segunda- feira (20). Este é o 9º caso de escalpelamento registrado esse ano. Em 2011, foram sete acidentes.
Maria foi vítima de escalpelamento total, que atinge o couro cabeludo, as sobrancelhas e a região cervical. Ela foi submetida à transfusão por ter perdido muito sangue. “Foram feitos curativos sob sedação. O início dos enxertos deve começar na sexta ou na segunda- feira”, antecipa Socorro Ruivo, coordenadora do programa de assistência às vítimas de escalpelamento.
Devido à gravidade das infecções, Maria está recebendo antibióticos. “Ela estava com muita secreção no couro cabeludo, já que o acidente foi na terça e ela só veio para Belém no sábado”, afirmou Ruivo. No momento do imprevisto, Maria seguia de Breves para Melgaço, onde morava. “Ela foi resolver o problema do bloqueamento do Programa Bolsa Família e, na volta, quis limpar o barco”, contou a coordenadora.
A embarcação possuía capa protetora para motor distribuída pela Capitania dos Portos, mas, na intenção de limpar o barco, Maria retirou o equipamento. “Ela foi se abaixar para secar o barco e acabou se acidentando. Ela disse que sempre se preocupou com as filhas e num descuido isso veio acontecer com ela. É algo inesperado, não dá para relaxar”, afirma Ruivo.
Maria Guedes foi trazida a Belém na manhã de sábado (11), pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros, e está internada na enfermaria da Santa Casa, que disponibilizou leito desde sexta- feira (10). A vítima está consciente e se locomovendo.
Na próxima sexta- feira (17), ela deve receber a visita da Organização Não Governamental dos Ribeirinhos Vítimas de Acidentes de Motor (Orvam). “Vamos presenteá-la com uma peruca e prestar todo o apoio necessário, levar uma palavra de conforto”, diz Maria Cristina Santos, presidente da Ong. De acordo com ela, a região de Breves é a que mais apresenta casos de escalpelamento.
Segundo a Capitania dos Portos, desde 2009, cerca de dois mil kits protetores de motor foram distribuídos no Estado. As carenagens que encobrem o eixo e o volante chegam a reduzir em quase 100% os riscos de escalpelamento. O Pará possui 18 mil embarcações registradas. “Para cada barco em situação legal, três são irregulares”, equipara o tenente Marco Antônio, da assessoria de comunicação da Capitania.
As pequenas embarcações fabricadas pelos próprios ribeirinhos e equipadas com motor, conhecidas como rabetas, são as maiores responsáveis pelos acidentes de escalpelamento. “Como eles sabem que são irregulares, não procuram o serviço”, acredita o tenente.
O equipamento e a instalação são gratuitos. De acordo com a Capitania dos Portos, mesmo que a embarcação esteja irregular, o proprietário deve procurar a capa protetora. “Os ribeirinhos, pela pouca instrução e por saberem que são irregulares, têm resistência ao uso”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar