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Protesto fecha estrada de Mosqueiro

O dia de ontem foi marcado por protesto em Mosqueiro. Centenas de moradores da ilha interditaram, desde as primeiras horas da manhã, as duas pistas da rodovia PA-391. A manifestação começou por volta das 6h, quando revoltados pela lotação e pela demora do

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O dia de ontem foi marcado por protesto em Mosqueiro. Centenas de moradores da ilha interditaram, desde as primeiras horas da manhã, as duas pistas da rodovia PA-391. A manifestação começou por volta das 6h, quando revoltados pela lotação e pela demora dos ônibus da empresa “Viaje Bem”, os moradores resolveram bloquear o acesso à ilha com o objetivo de chamar a atenção das autoridades sobre a qualidade dos coletivos que circulam diariamente entre Mosqueiro e Belém.

“O serviço de transporte aqui no distrito é péssimo. E isso não é de hoje. A prefeitura só lembra que Mosqueiro existe em época de veraneio. Nesse período chega até 35 o número de ônibus diários para transportar os veranistas, mas depois tudo volta ao normal e o número de coletivos é reduzido a seis carros. E a gente que pega ônibus todos os dias para trabalhar em Belém é que sofre com o descaso. Só existe uma empresa de ônibus que faz esse percurso e, por isso, eles agem como querem e somos obrigados a viajar em carros sucateados, com bancos quebrados, teto furado, e todo tempo lotado ainda por cima”, denunciou o funcionário público, Tiago Bentes.

A manifestação se concentrou em dois pontos da PA-391. O primeiro próximo ao Portal da Ilha, onde um grupo de pessoas pedia uma audiência pública com representantes da Companhia de Transportes de Belém. “Queremos a Ctbel. A gente só sai daqui quando for ouvido por representantes da Ctbel!”, gritavam os manifestantes.

O segundo ponto do protesto se concentrou a cerca de um quilômetro do Portal.

Pedaços de pau e pneus obstruiam a via. “Quem está a frente dessa manifestação é gente que acorda de madrugada e pega ônibus todo dia para trabalhar em Belém. A gente não aguenta mais a ausência do poder público que não faz nada para melhorar isso. Além do serviço ser ruim a demanda de ônibus é muito pequena para o número de usuários”, afirmou a funcionária pública, Rita Silva.

O protesto causou um grande engarrafamento nos dois lados da via. Apenas ambulâncias e carros com pessoas doentes eram liberados a seguir caminho. Os demais veículos que tentavam furar o bloqueio eram impedidos pelos moradores. “Todo mundo aqui está na mesma situação. E por isso precisamos estar unidos. Tem muito motorista que fica com raiva da gente, mas ou nós, moradores, fazemos isso ou tudo vai continuar como está. Esse problema do transporte em Mosqueiro não é de hoje”, declarou a empregada doméstica, Suzi Vale, que como a maioria dos manifestantes também faz o percurso Belém-Mosqueiro todos os dias para trabalhar.

NEGOCIAÇÃO

Homens da Polícia Militar, Polícia Rodovia Estadual e da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) estiveram no local para negociar com os moradores na tentativa de desobstruir a via, mas a resistência entre os manifestantes era unânime. Eles exigiam a presença da superintendente da Ctbel, Ellen Margareth, como garantia para liberar a via.

“A gente não perdeu um dia de trabalho por nada. Ou aparece alguém da Ctbel aqui, de preferência a própria superintendente, ou a gente vai continuar com o protesto. Queremos uma resposta objetiva com prazo. Ninguém aguenta mais tanto descaso”, explicou Roberto Pereira da Silva, presidente da colônia de pescadores de Mosqueiro.

A manifestação só acabou cerca de cinco horas depois, quando o diretor de Transportes da Ctbel, Paulo Serra, foi até o local conversar com os moradores. Após a desobstrução das vias, o representante da Companhia de Transportes se reuniu com um grupo de moradores na sede da agência distrital em Mosqueiro.

(Diário do Pará)

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