Todos os anos, cerca de 11 mil pessoas são hospitalizadas no Brasil em decorrência da varicela, popularmente conhecida como catapora. Considerada uma doença “da infância”, é justamente quando ela ultrapassa as idades iniciais que se torna um perigo ao enfermo. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que a morte por catapora em adultos saudáveis é de 30 a 40 vezes maior do que entre crianças de dois a nove anos, faixa de idade comum da doença. “Na maioria das vezes, adolescentes e adultos que adquirem a doença têm quadros com sintomas intensos, ou seja, lesões mais graves com febres altas e duradouras. O principal motivo é o sistema imunológico deles, que é mais rigoroso do que o de uma criança, e reage de maneira mais agressiva ao vírus”, explica o médico Tadeu Carvalho.
Somado aos casos graves existe ainda o fato de que esses números, 11 mil hospitalizados, representam apenas 10%, em média, dos casos registrados nacionalmente, já que a maioria das pessoas consegue combater a enfermidade com os próprios anticorpos, repousos e hidratação.
Por isso, a fim de evitar principalmente os casos graves, o Sistema Único de Saúde disponibilizará, no próximo ano, vacina gratuita contra a varicela. A imunização ocorrerá por meio da ‘tetraviral’, aplicada aos 12 meses e aos quatro anos de idade, servindo também para as doenças caxumba, rubéola e sarampo. Com sua inclusão, o Ministério da Saúde espera reduzir em pelo menos em 80% o número de hospitalizações.
“O tratamento atual visa basicamente aliviar os sintomas, porque, como ela é uma doença viral, não há muito o que fazer a não ser esperar o combate do organismo. Não existe um remédio específico para tratar a catapora. O importante é evitar a contaminação das lesões por bactérias, para não complicar o quadro, e evitar coçar as feridas para não infeccionar”, complementa.
Tadeu afirma ainda que a ideia de colocar crianças perto de quem está doente só para que elas se contaminem o mais cedo possível é completamente errada. “A vacina é o ideal”, conclui.
A transmissão da catapora ocorre de pessoa a pessoa, através de contato direto ou de secreções respiratórias. O período de incubação é de aproximadamente 15 dias e a suscetibilidade ao vírus é universal.
Na casa da doméstica Sandra Pinheiro, a catapora virou uma referência temporal. É comum lembrarem de eventos associando as datas a antes e depois do surto que abateu quase todos os moradores da residência. “Durante dois meses, sete pessoas pegaram catapora em casa. Começou com o meu sobrinho de 4 anos e depois foi aparecendo de um por um, nos meus filhos, minha irmã e até minha mãe. Eu fui a última sortuda”, brinca.
A intensidade, assim como as marcas corporais, variou de cada pessoa. Mas quem mais sofreu com a enfermidade foi a irmã, de 58 anos. “Ela tinha acabado de se operar da vesícula e ainda estava fraca. Precisamos interná-la novamente no hospital para ser hidratada lá e tomar antitérmicos, porque a febre dela chegava a quase quarenta graus”, conta. Hoje, seis anos depois, a família ri de algumas situações. “A gente trocava conselhos, onde era o melhor canto da parede pra se coçar, fazia fila pra ficar debaixo do chuveiro, e vivia lavando as roupas de cama. Era cômico”, diz.
VARICELA
A popular catapora atinge de forma grave cerca de 11 mil pessoas no Brasil, que precisam ser hospitalizadas. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que a morte por catapora é de 30 a 40 vezes maior entre adultos
VACINAÇÃO
Ano que vem, o Ministério da Saúde irá disponibilizar a vacina tetravalente contra a catapora para evitar os agravos
(Diário do Pará)
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