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Empresas de ônibus atacam gratuidades: lucro cai

Quando a tarifa de ônibus estava ainda a R$ 2, um coletivo que apanhasse, digamos, 50 passageiros durante a viagem, deveria render à empresa um faturamento de R$ 100. A realidade, porém, é bem outra. Em média, o cobrador só dispunha, para repassar ao patr

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Quando a tarifa de ônibus estava ainda a R$ 2, um coletivo que apanhasse, digamos, 50 passageiros durante a viagem, deveria render à empresa um faturamento de R$ 100. A realidade, porém, é bem outra. Em média, o cobrador só dispunha, para repassar ao patrão, a importância de R$ 59. Os restantes R$ 41 representam a quebra de receita provocada pelas gratuidades, que são 17 ao todo, entre as parciais, como meia passagem para os estudantes, e as integrais, para os passageiros com idade superior a 60 anos.

Essa quebra de receita, da ordem de 41%, faz de Belém uma das capitais brasileiras detentoras dos mais altos percentuais de gratuidade, conforme destacou esta semana o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setrans-Bel), Paulo Gomes. Com a receita desidratada, as empresas arcam com todos os custos operacionais, remuneram o capital e ainda têm a obrigação de se capitalizar para novos investimentos, com destaque para a renovação da frota.

Esses são alguns dos dados fornecidos pela Setransbel aos órgãos de fiscalização e controle para justificar o último aumento da tarifa, que elevou, a partir de 1º de agosto, o preço da passagem em R$ 0,20, para R$ 2,20. Em matéria de investimentos, por exemplo, Paulo Gomes lembra que nos últimos cinco anos foram adquiridos 1.143 ônibus novos, o que melhorou substancialmente os índices de qualidade.

Atualmente, o SetransBel conta com trinta empresas associadas, que exploram cerca de 150 linhas urbanas com uma frota de 1.755 veículos, dos quais 1.143 (65,13%) são ônibus novos. A idade média da frota atual de Belém é de 4,1 anos, o que faz dela a sexta mais nova do Brasil, segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

Porém, os investimentos não se limitam à aquisição de ônibus novos. De acordo com o presidente do Setransbel, 848 ônibus (53,67%) da frota circulante em Belém já são hoje acessíveis a pessoas com dificuldade de locomoção. A acessibilidade é uma exigência contida em lei federal, o Estatuto do Idoso, que estabelece para o final de 2014 o prazo limite para que 100% da frota ofereça obrigatoriamente acesso facilitado às pessoas com dificuldade de locomoção.

As empresas também vêm investindo na instalação de câmeras eletrônicas de segurança no interior dos veículos. Hoje, segundo Paulo Gomes, 87% dos coletivos que circulam em Belém já dispõem desses equipamentos, que inibem os assaltos e oferecem mais segurança aos passageiros. “As empresas já contabilizam uma redução significativa no número de assaltos”, acrescentou.

Citando esses e outros dados, o presidente do sindicato das empresas de ônibus garante que o setor está em situação confortável para defender o recente aumento da tarifa, inclusive na audiência já agendada para a próxima terça-feira com o prefeito Duciomar Costa. Sobre a proposta de lideranças estudantis, que defendem gratuidade total para os estudantes, ao invés da atual meia-passagem, Paulo Gomes lembra que a tarifa tem um custo. “Quando alguém deixa de pagar, os que já pagam são obrigados a pagar mais”, aduziu.

(Diário do Pará)

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