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Economizar é lição para a sobrevivência

Desde os sete anos de idade Taísi circula diariamente pela feira da 25 de setembro, no bairro do Marco, em Belém. Sem hesitar, os pés ágeis seguem os caminhos mais livres do fluxo de pessoas. Os olhos reconhecem os colegas de trabalho e numa parada rápida

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Desde os sete anos de idade Taísi circula diariamente pela feira da 25 de setembro, no bairro do Marco, em Belém. Sem hesitar, os pés ágeis seguem os caminhos mais livres do fluxo de pessoas. Os olhos reconhecem os colegas de trabalho e numa parada rápida ela analisa o local e explica o movimento do dia. “Com 14 anos comecei a trabalhar de fato. No início vendíamos no chão, com apenas um forro protegendo as verduras e frutas. Depois minha mãe conseguiu um Box e eu vendia no carrinho. Andava pra todos os lados. Até que um senhor ficou com pena e me deu, de generosidade, um Box também”, lembra Taísi.

Sozinhas, as duas conseguiram manter a família e os cuidados da casa. Tudo com o que ganhavam da feira, a única fonte de renda. Hoje, já com o seu negócio próprio, Taísi auxilia o marido, pedreiro, a sustentar os cinco moradores da residência. “Aprendi com a minha mãe a economizar e não ter medo de trabalho. Depois da feira eu ainda preparo um churrasquinho e vendo na frente da minha casa. É outra forma de complementar o salário e fechar todas as contas em dia”, explica.

Nos cálculos da autônoma, com os trabalhos regulares e ‘bicos’, ela e o marido somam cerca de três salários mínimos mensalmente, valor que garante a permanência de todos os três filhos na escola, sem precisar trabalhar. “A gente faz um esforço para dar um futuro melhor a eles. E com jeitinho e experiência conseguimos uma vida boa. Com planos inclusive de melhorar e sair do aluguel”, antecipa.

Assim como Taísi milhares de pessoas aprenderam a controlar as finanças. Para eles, estratégias como pesquisar preços e pechinchar se tornaram hábitos diários. Até mesmo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, incentivou o comportamento, ao anunciar que o governo abriu mão de aproximadamente R$ 2,6 bilhões — só as desonerações tributárias —, em troca de um crescimento econômico de 4,5% a 5% em 2012. “O consumidor tem que pesquisar, pechinchar”, anunciou.

Segundo análises do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE-PA), quase todos os produtos variam de preço de acordo com o local onde são comercializados, por isso pesquisar é a primeira atitude a ser tomada. “Em alguns casos, como de alimentação, a diferença pode chegar a 30%”, cita Roberto Sena, supervisor técnico do instituto.

Valorizar qualquer tipo de promoção, contudo, não é um comportamento inteligente. As chamadas “falsas pechinchas” também podem dar a ilusão de bom negócio e depois se tornarem um fardo. Exemplos dessa situação são objetos que não serão utilizados, como livros, roupas, eletrônicos, equipamentos de exercício. Tudo que essas coisas fazem é ocupar espaço sem acrescentar valor ao seu estilo de vida. Algo que você terá que substituir cedo e constantemente.

Para economizar de verdade o ideal é fazer um balanço do rendimento mensal, vendo onde é possível reduzir gastos. “Separar despesas fixas como aluguel, condomínio, transportes. Não pode reduzir de um mês para o outro. As variáveis, supermercado, energia, lazer, alimentação. Essa pode economizar, até mesmo eliminar. No início só dá déficit, depois do hábito, começa a economizar. A partir daí há reserva percentual da renda para poupar. Um décimo de tudo o que eu ganho é meu. É um direito. Repita desde que acorda. Pra eu ter no final de um período um valor para aplicar em algo”, ratifica o economista Oberdan Duarte, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado do Pará.

(Diário do Pará)

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