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É preciso saber controlar o orçamento

No próximo ano, o salário mínimo aprovado pelo Governo Federal passará a ser de R$ 667,75. Para 2014 e 2015, a estimativa do governo para o salário mínimo é reajustar em R$ 729,20 e de R$ 803,93, respectivamente. Mais dinheiro, mais poder de compra, corre

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No próximo ano, o salário mínimo aprovado pelo Governo Federal passará a ser de R$ 667,75. Para 2014 e 2015, a estimativa do governo para o salário mínimo é reajustar em R$ 729,20 e de R$ 803,93, respectivamente. Mais dinheiro, mais poder de compra, correto? Não necessariamente.

Mesmo com um aumento real (descontando os percentuais de inflação) de 65% nos últimos 10 anos o salário mínimo atual de R$622 compra pouco mais duas cestas básicas, afirmam estudos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudo Socioeconômicos (DIEESE). “Temos que recuperar o poder aquisitivo de antes, porque apesar do ganho real de 65% nos últimos 10 anos, o brasileiro ainda compromete a renda com alimentação e transporte”, ratifica Roberto Sena, supervisor do instituto no Estado. Segundo cálculos do DIEESE, o salário mínimo ideal deveria ser de aproximadamente R$2.500.

Outro problema aliado ao poder de compra insuficiente é a carga tributária excessiva. Em 2011, os brasileiros pagaram em apenas um ano 1,51 trilhão de reais em impostos, em torno de 4,143 bilhões de reais ao dia, de acordo com Impostômetro, medido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O levantamento da instituição mostra ainda que existem atualmente 85 tributos no Brasil – englobando impostos, contribuições, taxas e contribuições de melhoria. Por isso, é preciso o salário gastando-o com responsabilidade, acompanhando as limitações do próprio bolso.

SOPA DE LETRAS

“Infelizmente o sistema tributário no Brasil é difícil, tem várias legislações para um mesmo imposto, como é o caso do ICMS, mas isso não é desculpa para as pessoas não se informarem ao mesmo sobre o valor de sua contribuição”, , diz o contador Cristino Junior, que há seis anos presta consultoria para empresas privadas. “É necessário um mínimo de interesse em compreender as siglas que fazem parte do dia-a-dia, senão a própria manipulação de governos é ainda mais intensa”.

Uma pesquisa divulgada ano passado pela Proteste (Associação Brasileira de Defesa dos Consumidores) aponta que 39% dos clientes desconhecem quanto pagam na manutenção de conta corrente. Entre os que sabiam a informação, a média apontada foi de R$ 54,93 ao mês.

Segundo a pesquisa, os altos juros, o custo de manutenção das contas, o atendimento dos bancos e a falta de transparência são os fatores que mais decepcionam os clientes. Por outro lado, as instituições financeiras foram bem avaliadas no quesito atividades operacionais.

Para Cristino, a primeira mudança deve partir do cliente, ao exigir esclarecimentos detalhados a cerca do bem ou serviço adquirido. “Nessas situações, como em bancos, financiadoras, imobiliárias, não existe vergonha. Pergunte tudo o que não ficar claro, peça as contas num papel, consulte outros profissionais. Vergonha não é questionar e sim fingir que entendeu”, opina.

EQUILÍBRIO
Ter uma vida superavitária, e não deficitária. Essa é a frase de ordem do economista Oberdan Duarte, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (Corecon-PA). Tal situação de equilíbrio financeiro começaria, claro, com o planejamento financeiro, anotando o que recebe com o que gasta.

Mas para um orçamento justo e aceitável a participação de todos os membros familiares é ideal. “Quando nos reportamos a educação financeira falamos de família. A falta de planejamento cria um fator de insegurança, briga familiar. Não é só pai e mãe que devem se preocupar com isso, mas filhos também. Eles devem se tornar adultos consciente”, conta.

O economista ratifica a importância de estabelecer metas em conjunto para que todos tenham contenham juntos os impulsos de compra. “Escolham um carro para trocar ao final do ano, uma viagem dos sonhos, um intercâmbio como presente. Não é se privar, mas reduzir pequenos hábitos. Quando o objetivo é alcançado, vem a realização e tudo muda. Melhora o humor, as relações em casa e no local de trabalho. É uma qualidade de vida”, garante.

Vantagens que Renata Costa já percebeu aos 10 anos de idade. Há um ano ela percebeu que não precisava pedir dinheiro à mãe sempre que quisesse comprar algo. “Perto da minha casa tem uma loja de bombons e eu vi que eram muito mais baratos do que costumava comprar na escola. Comecei então a comprar lá e revender pros amigos do colégio”, conta.

A lancheira então foi divida em duas partes, uma com o lanche e outra com pequenos recipientes, com tipos diferentes de balas e chocolates. Por dia Renata arrecada em média 15 reais, dos quais 10 já são automaticamente separados para repor o estoque de produtos. O restante vai para o cofre que ela mantém em casa.
Depois de alguns meses guardando dinheiro, ela conseguiu comprar um sapato, algumas roupas e ainda passear durante as férias de julho. Tranquila e segura dos hábitos já estabelecidos, Renata agora estipula novas metas para a reserva financeira. “Meu pai me deu um notebook, mas agora estou juntando dinheiro pra conseguir um tablet no próximo ano”, antecipa.

O sucesso da iniciativa também gerou orgulho na família e estímulos entre os amigos. “Algumas pessoas já me dão trocos para eu colocar no cofre e amigos que nunca haviam pensado em guardar dinheiro viram que dava certo e estão tentando o mesmo”, diz. Além da educação financeira exemplar, Renata expande os conceitos de organização também para os afazeres domésticos e compromissos escolares. “Tenho horário para fazer os deveres de casa e quero estudar para me tornar uma bióloga marinha”, sorri.

(Diário do Pará)

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