Moradores da passagem São José, no bairro Parque Verde, reclamam de um terreno que estaria funcionando como lixão. Segundo eles, o problema é antigo e, apesar de denunciado à justiça, segue sem solução. Além dos riscos de transmissão de doenças, como dengue e leptospirose, os vizinhos reclamam que o lençol freático do bairro vem sendo contaminado.
O presidente da Associação de Moradores da Passagem São João, João Mendes, morador da área há 35 anos, diz que já denunciou aos órgãos competentes diversas vezes, mas que mesmo assim o proprietário do terreno se nega a pôr fim ao problema. Segundo ele, o espaço recebe todo tipo de entulho e avança sobre o que sobrou do chamado ‘Igarapé Mata Fome’. “Quando cheguei aqui, isso era a nascente do igarapé, a gente tomava banho e tudo. Agora, não tem mais nada. Ele vem aterrando tudo e tá matando o que ainda resta. É um problema muito grande. Vem caçamba trazendo porcaria de todos os bairros da cidade”, comenta seu João, em frente à caixa d’água montada pela própria associação para abastecer as cerca de 50 casas da passagem. “A preocupação é a poluição atingir nosso poço, a gente faz exame direto pra saber se não tem problema. Tem aumentado muito o cheiro e gosto de ferrugem da água. O que a gente queria é que ele [o dono do terreno] parasse com isso, o que já poluiu pra trás não tem jeito, mas pro futuro tem que parar”, diz.
Vizinho de seu João, José Malaquias também tem queixas. Diz que os restos de comida, que o espaço também estaria recebendo, atrai insetos e roedores que depois invadem as casas. “Isso aí virou o novo lixão da cidade. Jogam toda sorte de porcaria para cá e a gente é que sofre, porque tá uma peste de rato e barata”, reclama. Na passagem das Flores, que também faz limite com o quintal, o sentimento também é de incômodo. “A fumaça é um problema sério. Depois das cinco da tarde, eles começam a queimar e fica muito ruim. Pra gente que tem criança com asma em casa, a situação piora. Sem contar com os carapanãs que invadem a casa. Não tem veneno que aguente”, lamenta um morador, que preferiu não ser identificado.
O DIÁRIO flagrou o descarregamento de restos de madeira de uma caçamba. O dono do terreno, Paulo Freire, 78, recebia todo o material que, segundo ele, acaba sendo aproveitado pela própria vizinhança. Seu Paulo diz que é dono do terreno há mais de 50 anos e nega o lixão. Afirma que só recebe restos de construção e que planeja aterrar toda a área para montar um campo que, no futuro, servirá para a comunidade. “Aqui não recebo lixo, só material de construção que serve para quem é daqui mesmo e aterro porque quero nivelar o terreno e construir tipo um clube pra gente”, justifica. “Claro que a ordem que vier da autoridade eu vou obedecer, mas aqui não sinto poluição e sim oxigênio”, defende-se.
(Diário do Pará)
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