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Seminário discute prevenção de escalpelamentos

Mesmo com a realização de sucessivas campanhas preventivas, a  resistência de barqueiros e de ribeirinhos em cobrir o eixo do motor de embarcações de pequeno e médio porte continua sendo a principal causa dos acidentes que resultam em escalpelamento de mu

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Mesmo com a realização de sucessivas campanhas preventivas, a resistência de barqueiros e de ribeirinhos em cobrir o eixo do motor de embarcações de pequeno e médio porte continua sendo a principal causa dos acidentes que resultam em escalpelamento de mulheres e crianças no Pará. Só este ano já foram nove casos, quantitativo igual ao registrado em 2011. A maioria das vítimas é oriunda dos municípios do Marajó e da região oeste do Estado.

E é para alertar sobre essa recorrência que será realizado, nos dias 28 e 29, em Belém, o terceiro Seminário Estadual de Prevenção aos Acidentes de Motor com Escalpelamento no Transporte Fluvial, que traz como tema “Sem lágrimas nos rios da Amazônia”. Promovido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), através da Comissão Estadual de Erradicação dos Acidentes de Motor com Escalpelamento (CEAAE) e a Coordenação Estadual de Mobilização Social, o debate em torno do tema deve resultar em ações mais incisivas para erradicar casos de escalpelamento no Pará.

O escalpelamento é causado pela sucção dos fios de cabelos longos pelo eixo do motor das embarcações que fazem transporte de ribeirinhos nos rios da Amazônia. As principais vítimas são mulheres e crianças, que ao se aproximarem do motor, têm o couro cabeludo arrancado. O acidente provoca graves sequelas físicas e psicológicas e pode levar à morte.

Por conta desse cenário, o seminário pretende ampliar parcerias no combate ao escalpelamento, fortalecer a política de prevenção, promover a capacitação de profissionais da área da saúde e da assistência social para o fortalecimento de uma rede inserida na política de governo e pactuar com os gestores municipais a efetivação dessa política de combate.

A coordenadora de Mobilização Social da Sespa, Socorro Silva, não descarta também o pedido de ajuda à bancada de deputados estaduais, federais e de senadores do Pará, para que intercedam junto ao governo federal a fim de que apoiar as próximas campanhas, que já contam com a parceria consistente com a Marinha do Brasil, que tem sido essencial na disponibilização e colocação de eixos protetores.

“Acredite, mas ainda tem gente que viaja de barco e pensa que isso nunca vai acontecer com alguém da família ou consigo mesmo. Falta a noção do perigo e estamos aqui pra isso, até porque os acidentes tem vitimados mais crianças, que se sobreviverem, perdem boa parte da infância e da adolescência em consultórios e reclusas por causa do tratamento prescrito”, explica Socorro.

Desde quando virou lei federal, em 2009, a instalação da proteção do eixo se tornou obrigatória. A partir de então, a Marinha já realizou mutirões para a instalação gratuita do componente em cerca de duas mil embarcações que estavam em situação irregular. A instalação da cobertura é gratuita, pois empresas privadas patrocinam a iniciativa.

A parceria entre Marinha e Sespa, nos últimos cinco anos, já rendeu outras campanhas de prevenção e mutirões também pelo interior do Estado. Entre fevereiro e julho deste ano, por ocasião das atividades da Caravana Pro Paz Cidadania Presença Viva, que percorreu 17 cidades da região do Marajó e 13 da região oeste, foram reforçados os compromissos com 36 comitês. Além disso, a Sespa distribuiu cartazes nas cidades e realizou palestras nas escolas, igrejas e hospitais para conscientizar os moradores sobre o problema com o escalpelamento.

Essas estratégias também disseminaram novas informações sobre o atendimento às vítimas oferecido pelo Programa de Atenção Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives), realizado na Santa Casa, em Belém, e como é o acesso ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD), um benefício fornecido pelos municípios aos pacientes que precisam de tratamento fora da cidade de origem. “Muitas não conseguem o TFD e acabam desistindo do tratamento. Nosso trabalho tem sido resgatar essas pacientes para que voltem ao tratamento na capital”, informou Socorro Silva.

Todas essas e outras informações serão relembradas para quem estiver no Seminário. Além de palestras e apresentações de trabalhos sobre o assunto, haverá um mini-curso de “Capacitação para atendimento às vítimas de acidente do motor”, aos profissionais médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem e também uma oficina sobre a Política de Assistência Social (SUAS), também voltada ao atendimento a vítimas e familiares.

SERVIÇO

Terceiro Seminário Estadual de Prevenção aos Acidentes de Motor. Dias 28 e 29 de agosto de 2012, no auditório do curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Uepa, situado na travessa Perebebuí nº 2623, entre avenidas 25 de setembro e Almirante Barroso, bairro do Marco, em Belém. Informações pelo fone (91) 4006-4329.

(Agência Pará)

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