Ibama, Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizaram operação conjunta na região de Novo Progresso (que inclui parte do sul de Altamira e Itaituba, no oeste do Pará), onde conseguiram interromper mais de 30 desmatamentos ilegais, em 10 dias de fiscalização.
Os órgãos ambientais estadual e federal já aplicaram R$ 51,7 milhões em multas, embargaram 15 mil hectares de áreas irregularmente desflorestadas, desmontaram três acampamentos e libertaram 35 trabalhadores mantidos em situação análoga à escravidão. A inspeção foi intensificada com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar do Pará e Força Nacional.
Segundo dados do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto de Pesquisas Espaciais, de janeiro a agosto deste ano, a região de influência de Novo Progresso acumulou cerca de 17 mil hectares de novas áreas desmatadas (4,5 mil em Novo Progresso, 9,7 mil em Altamira e 3 mil em Itaituba). O que corresponde a mais da metade dos desmates ocorridos no Pará em 2012, que somaram 33,5 mil hectares.
"Vamos responder ao aumento do desmatamento com a presença de várias instituições federais e estaduais envolvidas no combate à exploração não sustentáveis da floresta", diz o coordenador da operação Labareda, o analista ambiental Paulo Maués.
Ataques à Floresta Nacional
Vinte e dois dos desmatamentos identificados pela operação Labareda foram flagrados na Floresta Nacional (Flona) de Altamira, uma unidade de conservação de uso sustentável de 689 mil hectares. Em apenas um deles, 1,5 mil hectares de matas virgens foram danificados e estavam sendo preparados para a queima.
Segundo a assessoria do IBAMA, 14 trabalhadores faziam a derrubada em situação de extrema exploração. Os funcionários haviam sido levados à Flona com a promessa de receber R$ 31 mil por cada área de mil hectares desmatada. Mas, depois de deixados isolados na floresta, eram informados que teriam de pagar por tudo que precisassem: lona da tenda, alimentação, remédios. Até as motosserras e o combustível usados no desmatamento eram cobrados. Ao final da empreitada, estavam endividados, e muitos receberiam menos de R$ 1 mil. Com a chegada da operação, os responsáveis pelo desmate foram multados pelo Ibama e MTE, além de terem de pagar os salários e indenizações trabalhistas devidas a todo o grupo.
(DOL, com informações do IBAMA)
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