O Hospital Universitário João de Barros Barreto apresenta na próxima terça-feira (28) mais uma reforma concluída no prédio central. Na ocasião, será inaugurado o 5º andar, com novos equipamentos, enfermarias e bases de internação hospitalar.
Ao longo do corredor, foram abertas janelas laterais para deixar o espaço mais claro, arejado e reduzir ainda a possibilidade de infecções. “A principal conquista será na qualidade de atendimento. Serão 44 leitos reformados para a clínica médica”, diz o diretor do hospital, Eduardo Leitão.
Segundo ele, essa é a primeira reforma em toda a existência da instituição e, para celebrar o aniversário de 53 anos, diversas inaugurações vêm ocorrendo, a exemplo do novo setor de oncologia, apresentado na última semana. “O 3° andar também está em reforma, assim como a Unidade de Tratamento Intensivo da Pediatria.
Ambos devem ser entregues em breve”, disse. Além disso, Eduardo antecipou outras modificações. “O centro cirúrgico será ampliado e logo contaremos com três UTIs, uma pediátrica e duas adultas. Também foram adquiridos equipamentos de alta tecnologia como máquinas para ressonância magnética”, completou.
As melhorias foram feitas com recursos federais, a partir da elaboração de projetos junto aos Ministérios da Saúde e Educação.Sobre as denúncias de alguns meses atrás, em relação à falta de medicamentos básicos, o diretor afirma que o problema foi decorrente da greve nacional. “Houve atraso na transferência de recursos durante dois meses e por isso não conseguimos efetivar as compras mensais”, justificou. Agora ele garante que tudo voltou à regularidade.
Além de obras físicas e equipamentos, a burocracia deve diminuir no local com o novo sistema instalado, capaz de agilizar o atendimento do paciente, desde a chegada até a alta, e também auxiliar no controle administrativo, dando maior segurança e controle à gestão hospitalar. “O nosso desejo é que todas as mudanças, somadas à equipe competente que temos, possam ampliar a imagem do hospital, que se orgulha muito de ter excelente qualidade na pesquisa e ensino. Iniciamos tratando apenas de infecções, e ainda somos referência na área, mas já crescemos muito.
Hoje somos um hospital geral, com inúmeras especialidade. E estamos trabalhando para implantar também radiologia e transplantes”, concluiu. O MPE determinou o fornecimento imediato a eles de medicamentos e suplementos alimentares.Portadores de fibrose estão sem remédios.
A angústia de Ana Carolina Camboim é a mesma de outras centenas de mães de portadores da chamada fibrose cística, doença genética que faz certas glândulas produzirem secreções anormais, resultando em vários sintomas, os mais importantes afetando o sistema digestivo e os pulmões.
Sem acesso aos medicamentos e suplementos alimentares dos quais os filhos necessitam para manter-se bem, a mãe sofre com as incertezas sobre o futuro. “Minha maior preocupação hoje é não conseguir especialmente um medicamento importado que não vem sendo distribuído há mais de ano. Os outros a gente faz uma coleta, se esforça e consegue socorrer os filhos. A dependência do Estado é que é o meu maior desespero, afinal, é a vida dos meus filhos que está nas mãos deles”, diz Ana Carolina que também é presidente da Associação Paraense de Assistência a Muscovicidose.
Com quatro e dois anos, os filhos de Ana Carolina precisam de sete medicações diferentes e apoio de suplementos alimentares para manter o fígado, os pulmões e a nutrição em dia. Graças a uma ação impetrada na Justiça, Carolina tem conseguido acesso individual aos remédios, o que segundo ela, não se repete com cerca de outros 180 pacientes, da capital e do interior, que realizam tratamento no Hospital Universitário João de Barros Barreto, referência no tratamento da doença no Estado.
De acordo com a presidente, há mais de um ano o atendimento aos portadores da doença estaria sendo negligenciado pela falta de medicamentos no estoque do hospital. “Todos os pacientes precisam de medicamentos e suplementos para não desnutrirem. Tenho conhecimento de uma moça que na faixa dos 22 anos precisou ser internada no hospital para poder receber as medicações. Ela está com o peso de uma criança. É um absurdo”, reclama a representante da associação que denunciou o caso ao Ministério Público do Estado (MPE) que já acionou Estado e Prefeitura para que garantam o fornecimento imediato da medicação e dos suplementos alimentares necessários ao tratamento da doença.
A determinação levou em consideração a existência de uma ordem judicial de 2009 que já obrigava os governos à distribuição e que, segundo o MPE, não está sendo cumprida integralmente pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Pelo documento assinado pela promotora em exercício da 5ª Promotoria de Justiça de Direitos Constitucionais, Fundamentais, Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa, Maria da Penha de Mattos Buchacra Araújo, os estoques do hospital estão zerados desde maio deste ano, o que compromete o tratamento dos pacientes. “Trata-se de uma situação grave.
O descumprimento de uma decisão judicial de três anos está pondo em risco à vida desses pacientes. Há relatos de mortes de crianças nesse período. A ponto de chegarmos a esse extremo. O Estado teve tempo suficiente para se organizar e planejar a aquisição dessas medicações”, declarou a promotora.Entre as medidas de sansão em caso de descumprimento por parte da Sespa, o MPE determina a aplicação de multa diária no valor de R$ 15 mil e condução do secretário estadual de saúde à delegacia de polícia por crime de desobediência e prevaricação.
Em nota, a Sespa informou que ainda não recebeu notificação do Ministério Público sobre a falta de medicamento para fibrose cística, mas lembrou que na última quarta-feira uma comissão de mães de pacientes foi recebida pela secretária adjunta de saúde, Heloísa Guimarães e que o Departamento de Assistência Farmacêutica foi autorizado a fazer uma compra emergencial dos medicamentos importados em falta, enquanto ainda tramita o processo licitatório. A assessoria disse ainda que fará aquisição de medicamentos do componente básico, que seriam de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), e que também estariam em falta no Hospital. Por fim, garantiu que não há problema com o estoque de medicamentos especializados.
EM NÚMEROS 180 pessoas são portadoras de fibrose cística no estado. O MPE determinou o fornecimento imediato a eles de medicamentos e suplementos alimentares.
(Diário do Pará)
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