Benedito Brito, de 41 anos, mora na avenida Cipriano Santos e pega o DIÁRIO no Mercado de São Brás para revender nas esquinas de Belém.
Ainda que sejam muitos os vendedores de jornal espalhados pela cidade - uma verdadeira tropa encarregada de nos levar até nossos leitores - cada um guarda a sua própria história com o DIÁRIO. Alguns são jovens ganhando seu dinheiro para manter os estudos, outros são pais de família que fizeram desta sua profissão, e há também aqueles que se aposentaram e encontraram na venda de jornais uma nova vida.
Nonato Valadares, o ‘Nonatinho’, tem 52 anos e sua relação com o DIÁRIO é quase tão antiga quanto a idade do jornal. Há 28 anos, Nonatinho trabalhava no setor de cobrança com mais “nove ou dez colegas”, a memória já não lhe permite precisar. Algum tempo depois, o setor deixou de existir, os colegas foram embora, mas Nonato continuou no jornal, passando para a atividade que exerce até hoje, e com orgulho - jornaleiro.
Seu ponto de venda é a avenida Visconde de Souza Franco, esquina com a Jerônimo Pimentel, onde ele garante já ser conhecido por doutores, bancários, salões de beleza e quem quer que passe por ali com frequência. Por isso, alguns clientes já são certos, só compram de Nonato. E ele próprio afirma que o bom de ser jornaleiro é o “conhecimento”. “Ser conhecido e fazer muitos amigos, conhecer gente importante que valoriza o seu trabalho.”
ESTRATÉGIA
Entre as estratégias de venda – ler o jornal. “Leio só a página policial para dizer aos fregueses o que tem naquele dia. Ajuda a vender mais rápido, também falo das vagas de emprego e mostro a capa do Polícia”, diz Nonatinho. E parece que a estratégia é boa, o jornaleiro afirma conseguir vender de 35 a 50 jornais durante a semana, e mais de 150 aos domingos.
Já Benedito tem uma abordagem diferente. Vai de uma esquina à outra, de carro em carro. Conta das dificuldades e da tristeza de ter perdido o irmão com quem trabalhava e mantém o sonho de vencer com o trabalho que continua.
Entre as muitas manchetes anunciadas, o acidente com o ônibus de estudantes em julho deste ano, o caso dos irmãos Novelino e a morte da missionária Dorothy Stang, por exemplo, jamais deixaram a memória de Nonatinho. “Essas foram histórias que fizeram vender muito, não teve jornal suficiente para quem quis”, conta Nonatinho.
Hamilton Pinheiro trabalha no setor de circulação do DIÁRIO, responsável por entregar os jornais aos distribuidores, encarregados, por sua vez, de repassar os jornais aos vendedores de rua. “Em finais de semana, chega a ter cerca de 500 a 600 jornaleiros nas ruas”, contabiliza. E, segundo Hamilton, nesses 30 anos esta área também sofreu mudanças e vem se profissionalizando. “Muitos desses distribuidores já investem em frota própria. Eles sabem que, quanto mais rápido esses jornais saem da produção para a mão dos leitores, mais chances de venda nós temos”, explica.
Nonato, que sustenta os três filhos, a esposa e uma neta com o que ganha nas ruas, mal espera o relógio indicar as seis da manhã para estar diante do parque gráfico do DIÁRIO para receber os jornais do dia. “Estou feliz com o aniversário de 30 anos. Sei que também faço parte dessa história”, sorri.
(Diário do Pará)
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