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A valorização de práticas sustentáveis no Pará

“Eu preferia que fosse destacado o trabalho. Não a pessoa”, diz o pesquisador Adalberto Veríssimo, 46 anos, à porta do elevador, na saída do escritório do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A frase diz um pouco a respeito da personal

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“Eu preferia que fosse destacado o trabalho. Não a pessoa”, diz o pesquisador Adalberto Veríssimo, 46 anos, à porta do elevador, na saída do escritório do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A frase diz um pouco a respeito da personalidade de Beto Veríssimo, como é mais conhecido não só no Brasil, mas ao redor do mundo. A ciência, a pesquisa e o trabalho em equipe descartariam um possível culto personalista.

Se tem razão de ser, a frase não suprime o fato de que Veríssimo se tornou a cara e a voz da instituição de pesquisa que desde os anos 90 se tornou uma referência em relação a meio ambiente e práticas sustentáveis. “Valorizo a comunicação”, admite. No rol de qualidades que um pesquisador deve ter, Veríssimo destaca dois. “O cientista tem de ter formação sólida e precisa saber se comunicar”, diz. As duas características são partes integrantes de Veríssimo.

Agrônomo de formação, Beto Veríssimo nasceu na Paraíba, mas logo foi levado pela família ao Ceará. Aos 12 anos já trabalhava no setor de pesquisa e arquivo do jornal O Povo, levado por um primo, diretor do jornal. Aos 13 anos escrevia o primeiro artigo sobre meio ambiente. “Fui precoce nesse sentido”, diz, sem aparentar falsa modéstia.

O interesse pela área ambiental veio cedo, mas foi aprofundado pela leitura de um documento produzido pelo chamado Clube de Roma, grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados a política, economia internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. O grupo tornou-se muito conhecido a partir de 1972, ano da publicação do relatório intitulado ‘Os Limites do Crescimento’, que tratava de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, como energia, poluição, saneamento, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional. “Era muito bem escrito. Aquilo me impactou”.

Não demorou e Veríssimo começou a participar da Sociedade Cearense de Meio Ambiente. “Fizemos duas coisas importantes. Impedimos, por exemplo, um banco de se instalar numa área, o Parque do Cocó, utilizando apenas argumentos técnicos”, lembra. Esse tipo de postura passou a ser determinante no futuro para Veríssimo. Em vez de esbarrar em discursos ideológicos, sempre buscou o discurso técnico, cujos argumentos são difíceis de ser derrubados.

Como ambientalista, a Amazônia era uma atração irresistível. Com 17 anos, vendo a universidade numa greve quase interminável, Veríssimo decidiu conhecer o Pará, indo até a casa de um irmão que morava em Capanema. “Achei que aqui era um lugar melhor para construir minha carreira”. Em 1985, conseguiu a transferência do curso para a atual Ufra.

DESMATAMENTO

Veríssimo acompanhou o singular ano de 1988, de recorde em desmatamento e auge dos conflitos agrários no Pará. O interesse pelo tema cresceu. Conheceu então o pesquisador Christopher Uhl, uma das maiores autoridades mundiais em economia tropical. Colou nele e passou a conhecer o interior do Estado de forma mais acentuada. “Esse foi o meu batismo. Foi a partir daí que veio a ideia do Imazon, surgido dois anos depois”, diz.

Segundo Veríssimo, o Imazon veio com a ideia de ver as coisas mais adiante, fazer leituras que possibilitem pensar o futuro, vendo as tendências. “Estávamos falando de coisas que hoje estão na linha de frente”.

O Imazon passou a ser parceiro de governos. A característica de fugir dos maniqueísmos de mocinhos e bandidos ambientais faz com que o instituto consiga pôr à mesa de discussões lados antagônicos. Os resultados têm sido significativos. O programa Municípios Verdes, implantado em Paragominas e que resultou na diminuição acentuada do desmatamento ilegal no município, tem a participação ativa do Imazon.

“O Pará amadureceu muito na área ambiental. O tema desenvolvimento sustentável é visto hoje como uma oportunidade, e não como entrave. Isso é uma grande vitória”, diz.

(Diário do Pará)

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