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Junichiro é um homem de grandes lições

Junichiro Yamada é um empresário de reconhecido talento, que pautou a vida por uma postura reservada, com uma imensa capacidade para trabalhar e enfrentar desafios. Adotou como lema produzir mais, gastar pouco e poupar ao máximo para poder investir na emp

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Junichiro Yamada é um empresário de reconhecido talento, que pautou a vida por uma postura reservada, com uma imensa capacidade para trabalhar e enfrentar desafios. Adotou como lema produzir mais, gastar pouco e poupar ao máximo para poder investir na empresa. Sua trajetória foi marcada pela presença empreendedora do pai, Yoshio Yamada, de quem herdou a cultura do relacionamento como um dos pilares do sucesso de uma empresa. Da mãe, Aki Yamada, acumulou a cultura do controle, da retaguarda, outro esteio que sustenta uma organização empresarial.

Mas foi sua própria vivência como produtor de carvão, vendedor de frutas, hortaliças e fritador de peixe que lhe deu a musculatura necessária para enfrentar a luta que se confrontaria, depois, para consolidar uma empresa surgida numa pequena sala de um hotel. Sem ter curso de nível superior, Junichiro sempre gostou de ler muito, de ouvir pessoas. Participou de todas as principais entidades ligadas à cultura japonesa no Pará, das reuniões e convenções do Clube de Diretores Lojistas e da Associação Paraense de Supermercados. Defendeu sempre o fortalecimento do setor de varejo nas mãos de empresas do Pará.

Estimulou os filhos a estudar e a fazer cursos que pudessem contribuir para ampliar os relacionamentos no mundo dos negócios. Nos períodos de férias escolares, chamava-os para dentro da empresa. “Foi dentro da Yamada que aprendi a vender, preencher uma ficha de cadastro, uma nota fiscal, operar e fechar um caixa, fiscalizar e conferir o estoque”, diz o filho, Fernando Yamada, ao falar sobre Junichiro no livro lançado recentemente que trata da trajetória do pai.

Vender muito e ter o controle, além de manter as rédeas nas mãos, foi a fórmula que Junichiro ensinou aos filhos para a empresa ter sucesso. Ele também sempre orientou irmãos, filhos, sobrinhos e netos de que, mais importante que a acumulação pessoal, é a riqueza da pessoa jurídica. Considera que uma empresa forte pode gerar riqueza para os clientes, funcionários e para seus
sócios.

SUPERMERCADO

Fernando diz valorizar muito a paciência oriental do pai. E lembra que um dia Junichiro o chamou e disse: “Olha, Fernando, eu estudo a possibilidade de implantar um supermercado há dez anos. Está na hora de a gente entrar nesse ramo”. Em seguida, mostrou a evolução do crescimento do setor de lojas de departamentos e o de supermercados japoneses. Analisava separadamente e apontava a diferença. Dizia qual setor crescia mais rápido e qual crescia menos. “Isso é o que vai acontecer no mundo”, previa. Foi então que Fernando recebeu do pai a missão e implantou o supermercado.

A avaliação do empresário é de que hoje quem mais cresceu no varejo, no Pará, foi quem investiu no ramo de supermercado. É uma realidade tanto em volume como em negócio. “Meu pai, mais uma vez, demonstrou perspicácia, capacidade de enxergar bem à frente. É essa vitalidade que ele tem para os negócios que nos surpreende a cada
instante”.

Primeiro, Junichiro percebeu a hora de migrar do chamado “ramo duro”, como é conhecido o setor de eletrodomésticos, para o “ramo mole”, o de magazine, lojas de departamentos. Depois, ele decidiu informatizar e automatizar o setor de crediário, permitindo a implantação do Cartão Yamada, um sucesso que reduziu o tempo do cliente na loja e assegurou a inclusão de um nicho que antes era excluído pelo sistema de crédito.

Todas as decisões que Fernando toma e que podem interferir na empresa, segundo explica, Junichiro é quem dá a palavra. Quando consultou o pai se poderia aceitar o convite para ser presidente do CDL e da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), Fernando recebeu o sinal verde. Mas quando perguntou sobre o convite para ser presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e de candidato a senador da República, a resposta foi: “Eu prefiro que você fique na empresa e a empresa está precisando de você”. Fernando entendeu o recado.

Homem simples que gosta de pato no tucupi, peixe assado com farinha, do “avoado” e do peixe cozido. O mesmo Junichiro que foi homenageado pelo governo do Estado com a comenda da Ordem do Grão-Pará, nunca fez cerimônia quando era convidado para visitar a casa de um velho amigo do interior. Ficava hospedado na própria casa do caboclo.

São essas coisas que ele gosta de fazer. Ir para campo de futebol e para bailes de carnaval, por exemplo. Já participou de todos os tipos de festas da cultura brasileira, não apenas para se divertir, mas para aprender. Festas como o “Boi de Parintins”, no Amazonas, ou o Festival do Sairé, em Santarém. Ele já foi a todos. Mais recentemente, presenciou na Marquês de Sapucaí, o grande desfile do carnaval do Rio de Janeiro.

PESCADOR

Junichiro aprendeu a fazer farinha, sabe como se faz o tucupi e a goma. Entende muito de agricultura. Já forneceu, nos anos 40, hortaliças e legumes aos feirantes do Ver-o-Peso e é um especialista em pesca. Sempre se interessou pelas redes e malhas de capturar peixe de rio, de mar. Ele vendia e testava para a indústria os materiais de pesca, fios, suas cores e bitolas de malhas.

Conhece as malhas para pegar filhote, serra, pescada e tainha. Ele criava o tamanho e a altura da malha para poder pegar corretamente o peixe. Até com a torção do nylon para não gastar muito fio ele se preocupava. Foi dele a ideia de um nylon que se abria na água igual lã. E na época da safra de peixe ele ia para Bragança, Salinas, Vigia, São Caetano e Curuçá, comprar peixe e conversar com o pescador. Segundo Fernando, o pai ensinou a ele quase tudo sobre o mundo dos negócios. Quando diz quase tudo, é porque sabe que ainda “tenho muito a aprender com ele”.

(Diário do Pará)

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