Eu fui o primeiro a ser preso”. Se não a mais célebre, essa talvez seja uma das mais representativas frases ditas pelo publicitário Pedro Galvão, 72 anos. A frase em si não encerra grandes reviravoltas no mundo, mas simboliza um período de transição no Pará: o do fim da democracia e início da ditadura militar.
Galvão foi preso, depois solto e, militante, precisou optar entre ser um integrante armado da guerrilha ou cair fora dessa vida. Optou pelo segundo caminho. “Eu não tinha estofo para ser guerrilheiro”, diz. Mas o período de militância estudantil deixou marcas, moldou o percurso profissional de Pedro Galvão. Disso ele não tem dúvida alguma.
“Eu nunca fugi das minhas raízes ideológicas. Mas evoluí a partir delas”, analisa. Em meados dos anos 60, Galvão estava no fim do curso de Direito, mas já trabalhava como redator publicitário. Entre o final de 1967 e início de 68, houve a abertura para um concurso de juiz do Trabalho. Galvão começou a estudar com afinco para as provas.
ALTERNATIVAS
Mas, com a pulga atrás da orelha, foi consultar o presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Aloysio Chaves. “Fui com ele e perguntei se eu seria nomeado, caso fosse aprovado. Ele disse que achava que eu não seria”. O motivo havia sido a prisão do estudante em 1964. “Nesse momento, decidi que tinha de buscar alternativas, um caminho para a minha vida”, lembra Galvão.
A saída foi São Paulo. Em janeiro de 1970, Galvão se mudou para a capital paulista. As portas não se abriram e ele, sem muita dificuldade, convenceu a mulher, carioca, a tentar o Rio de Janeiro. “Lá, rapidamente me coloquei no mercado publicitário”, diz. Vivendo toda a efervescência cultural e política da década, Galvão fez nome no Rio. Mas queria voltar.
Veio a Belém para participar da histórica campanha eleitoral de 1982, que elegeu Jader Barbalho governador do Estado. “Era a época do PMDB histórico, importante para a retomada da democracia brasileira”, lembra. Galvão deixou de ser empregado para criar a própria agência, minúscula, mas com planos ousados.
“Foi o que me trouxe de volta a Belém, essa perspectiva de fazer minha agência. Era um sonho que eu achava não ter condições de fazer no Rio ou em São Paulo”, diz. Começar na vitoriosa campanha de 1982 significa para Galvão o melhor começo que uma agência poderia ter. Mas a ideia básica era atuar junto à iniciativa privada.
CAMPANHA
Uma campanha para o Banpará seria o cartão de visita das inovações feitas pela agência no mercado publicitário local. “Foi a primeira vez que se ousou falar a linguagem regional num comercial”, diz o publicitário. A imagem da atriz Natal Silva dizendo: ‘Tá pensando que sou lesa?’ ainda enche Galvão de orgulho. Tanto que a referência é explícita na frente da agência. “Foi essa campanha que nos possibilitou criar algo novo para o mercado. Conquistamos novos e importantes clientes depois disso”,
lembra.
Aos 72 anos, Pedro Galvão ainda mantém um ritmo intenso de trabalho. Geralmente chega às 9h30 à agência. Só não chega mais cedo porque faz algumas atividades físicas logo que acorda e lê os jornais do dia. Dos cinco funcionários iniciais da década de 80, tem hoje 22. Profissionalismo é a palavra que gosta de repetir para elencar motivos de sucesso. “Profissionalismo e respeito à verdade, respeito às pessoas”, diz.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar