A primeira edição do DIÁRIO DO PARÁ chegou às mãos dos leitores de Belém pela primeira vez na manhã do dia 22 de agosto de 1982. O jornal nasceu sob inspiração política para dar sustentação à candidatura do então deputado Jader Barbalho (PMDB) ao Governo do Estado. Era uma disputa difícil, em que o candidato de oposição, rudemente hostilizado pelo general João Baptista de Oliveira Figueiredo, o último presidente do ciclo militar, enfrentava o empresário Oziel Carneiro, do PDS.
Encerrada a contagem dos votos, Jader Barbalho foi proclamado vencedor com 501.605 votos (51,1%), contra 461.969 (47,1%) de seu principal opositor. Naquele pleito disputaram a preferência do eleitorado paraense, como simples figurantes, outros dois candidatos – Hélio Vieira Dourado, pelo PT, que somou 11.010 votos (1,1% do total), e Mário Sampaio, pelo PTB, com 7.214 votos (0,7%).
O colégio eleitoral do Pará, que hoje soma mais de cinco milhões de eleitores inscritos – em números precisos, fornecidos pelo TSE, são 5.100.797 –, limitava-se naquele ano a apenas 981.798. O crescimento do universo paraense de eleitores, registrado nesse período, é apenas um reflexo das profundas transformações experimentadas ao longo das três últimas décadas pelo país e, em particular, pelo Estado do Pará.
É o que sugerem os números, entre outros indicadores. O Brasil, que hoje tem perto de 141 milhões de eleitores, tinha naquele mesmo ano de 1982 menos de 70 milhões. Isso significa dizer que, em apenas 30 anos, o país mais do que duplicou o seu eleitorado. Esse agigantamento aconteceu também na economia. Em valores atualizados, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil era de R$ 763,5 bilhões em 1982. Hoje, ele está em mais de R$ 4,1 trilhões.
Não há registros oficiais sobre o PIB paraense da época, mas se sabe que ele era insignificante dentro do contexto nacional. Hoje, embora o nosso Produto Interno Bruto permaneça relativamente pequeno, em termos proporcionais, o Pará vive outra realidade em termos econômicos. O Estado, que na década de 1980 tinha sua pauta de exportações limitada basicamente à madeira, ao pescado – camarão e piramutaba – e à pimenta do reino, ganhou musculatura é já é hoje um dos maiores exportadores brasileiros.
A principal mudança, nesta área, é que o Pará se tornou um grande produtor e exportador de commodities minerais, rivalizando com Minas Gerais e já se preparando para assumir brevemente a liderança do ranking nacional. Nessa mudança, alterou-se drasticamente o perfil econômico do Estado. A base agroflorestal, que durante décadas deu sustentação à economia paraense, foi suplantada pela indústria mineral, extrativa e de transformação. Hoje, o setor mineral já responde por mais de 90% das exportações paraenses, relegando a um papel insignificante, em termos globais, a participação dos chamados produtos tradicionais da nossa pauta de comércio exterior.
Cenário econômico alternou seu perfil: indústrias foram impactadas
No Pará, em 1984, foram inaugurados simultaneamente dois grandes empreendimentos que viriam alterar o perfil da nossa economia – a hidrelétrica de Tucuruí e o Projeto Ferro Carajás. Esses projetos demarcaram o início de um novo ciclo, marcado pelo peso avassalador da exploração mineral e pelo aproveitamento do potencial de geração hídrica, que hoje tem sequência com a usina de Belo Monte, em construção no rio Xingu. Os dois setores traçam como destino para o Estado do Pará o papel de maior produtor nacional de minério e de energia elétrica.
Mas essas mudanças não ocorreram sem dores. No bojo das profundas transformações que sacudiram nesse período a economia paraense, desapareceram numerosas indústrias que aqui fizeram história, nos mais diferentes setores. O Pará perdeu, por exemplo, duas fábricas de fósforos, a Fosnor e a Fasa, ambas em Icoaraci. No setor madeireiro, sumiram do mapa a Madenorte, a Eidai do Brasil, a Maginco, a Cimatro e tantas outras.
Quantos paraenses ainda se lembram da empresa Vidros Industriais do Pará, uma fábrica de vidros instalada às proximidades do Aeroporto de Val-de-Cans? E da Inca, a Indústria Cerâmica da Amazônia? Ou ainda, da Azpa – a Azulejos do Pará? Todas desapareceram, como desapareceram também a Nortubo, a Poliplast, a Tuplama, a Ibifam, a Prada (indústria de embalagens), a Gelar (sorvetes) e a J.S. Móveis. No setor de tecelagem, o Pará perdeu também a Pedro Carneiro e a Cata (Companhia de Aniagem Têxtil da Amazônia).
E isso para não falar das numerosas indústrias que desfalcaram o nosso antes pujante setor pesqueiro, como a Ciapec, Ipecea, Comfrio, Pina, Primar e tantas outras. Nascidas nesse mesmo período, poucas foram as que conseguiram sobreviver. Entre elas, merecem registro a Facepa, fábrica de papel e celulose, a Sococo, Cerpasa, Tramontina e Ecomar, esta última na Vigia.
(Diário do Pará)
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