Para o economista Wilton Brito, ex-secretário da Fazenda do Estado e hoje consultor econômico da Federação das Indústrias do Pará, o desaparecimento de tantas indústrias resultou da ineficácia do próprio sistema de incentivos fiscais da Sudam. O que aconteceu, segundo ele, é que essas empresas, no geral, previam receber dos investidores do Sul e do Sudeste não somente os incentivos do Imposto de Renda, mas também a própria experiência dos empresários de fora, teoricamente mais qualificados. Essa, pelo menos, era a filosofia de Celso Furtado, o mentor da política de incentivos fiscais.
A política começou a naufragar, de acordo com Wilton Brito, diante de um sistema de corretagem em que se retirava até 30% – e às vezes ainda mais – do valor a ser aplicado. Além do que – acrescenta –, a demanda pelos recursos dos incentivos fiscais logo se tornou muito maior que a oferta, criando um balcão de negócios vergonhosos. Isso logo se refletiu, conforme frisou, no não cumprimento de compromissos, justo num período de inflação descontrolada, o que abalou seriamente grande parte dos projetos implantados no Pará.
Hoje, segundo Wilton Brito, a economia paraense está fortemente concentrada no setor mineral, para o qual o Estado apresenta reconhecidamente maior vocação. Todavia, alertou o economista, os empreendimentos do setor mineral, pela sua própria natureza, tendem a se constituir, na sua implantação e ainda por algum tempo, em meros enclaves. Sendo assim, seus resultados costumam ser a exploração pura e simples de matéria prima, com a internalização de poucos benefícios. “Esses projetos praticamente não se envolvem com as necessidades sociais das unidades onde estão implantados”, afirma Wilton Brito.
Numa segunda etapa, ele diz acreditar, com boa dose de otimismo, que será possível que venhamos a ter a desejável verticalização do setor mineral. “Espero que possamos atingir esse estágio em curto prazo, sobretudo porque também dispomos de uma malha rodoviária razoável e de um fantástico potencial hidroviário para o escoamento da produção”, acrescenta.
Para o ex-secretário da Fazenda, o Pará deve buscar obsessivamente a verticalização mineral, como forma de agregar valor à sua produção e ampliar o mercado local de trabalho, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, condição vital para que possamos ter uma disseminação de melhores resultados. “Só assim a economia paraense estará apta a se apropriar dos benefícios dessa riqueza e a utilizá-la em benefício real da sociedade”, finalizou.
(Diário do Pará)
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