Barcarena, Acará, Baião, Tailândia, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Mocajuba, Moju, Oeiras do Pará, Cametá e Abaetetuba. Estes são os municípios que compõem uma das regiões mais importantes para a trajetória histórica e de movimentos sociais no Pará. Graças a uma localização geográfica estratégica, que permite o acesso tanto à capital Belém quanto ao sul do país, a região do Tocantins é um dos principais polos de arrecadação do Estado.
A economia está concentrada no município de Barcarena, que contribui com 62% do PIB da região, seguido de Abaetetuba, Tailândia e Cametá. É lá, aliás, que a indústria registra os melhores índices proporcionais uma vez que a atividade corresponde a 50% da arrecadação estadual.
ABAETETUBA
Na língua Tupi, Abaetetuba significa “lugar de homens ilustres, valentes, verdadeiros”. E assim, com um povo encantado pela própria terra, o município se aproxima dos seus 200 anos de fundação. Com 41% dos moradores na área rural, a agropecuária soma pouco mais de 8% da economia no município, que é um dos maiores produtores de açaí e de pescado do Pará.
Considerada a sexta maior cidade do estado, Abaeté também é conhecida como a terra da bicicleta, principal meio de transporte da população. Lá a profissão do bicicleteiro, também chamado de taxiciclista, é uma importante fonte de renda para os moradores. Miguel Cardoso Pereira, 51 anos, trabalha como bicicleteiro no Terminal Rodoviário da cidade. Todos os dias, de domingo a domingo é possível encontra-lo no local, indo, vindo ou esperando a próxima corrida.
Com a função, ele sustentou todos os oito filhos e agora passa os conhecimentos também ao filho mais velho, que trabalha agora junto ao pai. “O preço fixo é R$2, mas dependendo da distância pode chegar até 20 reais. Às vezes a gente roda uma manhã inteira com o cliente e aí depende da consciência dele o quanto pagar. Abaetetuba não é apenas a terra do açaí e da cachaça. É também da bicicleta”, diz. E junto a estes produtos, não poderiam faltar as peças leves, coloridas e criativas, que se consagraram símbolos essenciais do Círio de Nazaré e se espalharam pelo Brasil como referência de artesanato de qualidade.
Os brinquedos de mitiri são motivo de muito orgulho para quem mantém esse artesanato, passado de geração a geração. Desde 20 anos, Adonias Vilhena, trabalha com miriti e pintura de casas. O interesse surgiu ainda em Paragominas, onde passou a infância, quando olhava objetos em madeira e tentava reproduzi-los. Quando se mudou para Abaetetuba ele aprendeu o ofício com o tio e começou a viver do trabalho artístico. As peças mais difíceis foram duas motos de tamanho quase normal, que levaram meses para serem concluídas. Já as mais fáceis e também mais vendidas são os pássaros em miniatura, os quais Adonias chega a produzir até 10 por dia e os vende pelo preço de até R$8. “Hoje o trabalho é valorizado, está bem famoso e entra em locais que nunca tinha entrado. Tenho prazer no que faço e a satisfação é muito grande em ver o produto pronto”, opina.
Uma das maiores organizações não governamentais do município, a Miritong, conta com 84 associados e somente este ano já participou do Mirifest, evento em Abaetetuba onde são expostos e comercializados cerca de 20 mil peças de diferentes formatos e concepções esculpidas em miriti; executou o cenário do Terruá Pará, que aconteceu no Teatro da Paz; e vai a São Paulo também com o projeto. “Com a proximidade do Círio de Nazaré estamos no auge da produção. A expectativa é de confeccionarmos cerca de 40 mil peças para exposição e comercialização”, diz Vadeli Alves, presidente da ONG.
BARCARENA
Próximo de 100 mil habitantes, Barcarena é um dos municípios que mais recebeu investimentos e os direcionou em infra estrutura e qualidade de vida. Por isso, não é à toa que seja o dono do maior PIB (Produto Interno Bruto) per capita e o terceiro melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no Estado. A 87 quilômetros de Belém, a cidade é um importante polo industrial, onde são feitos a industrialização, o beneficiamento e a exportação de caulim, alumina, alumínio e cabos para transmissão de energia elétrica. Boa parte desses produtos é escoada pelo maior porto do Estado, inaugurado em 1985 em Vila do Conde, que é uma das três vilas projetadas em Barcarena para abrigar os trabalhadores das grandes fábricas. O porto fica às margens do rio Pará, na baía do Marajó. Mas não é apenas a economia que engrandece o município. Artistas da terra fizeram de Barcarena uma referência musical.
MESTRE VIEIRA
É o caso de Mestre Vieira, um dos idealizadores do ritmo da guitarrada, que acaba de comemorar 50 anos de existência. Nascido em 1934, Joaquim de Lima Vieira aprendeu a tocar seu primeiro instrumento (banjo) aos 5 anos, assistindo escondido às aulas que seu irmão tinha. Aos 10 anos montou com seus irmãos e primos um conjunto Regional e aos 14 anos, já tocando bandolim, participou de um concurso na Rádio Clube do Pará, vencendo com nota máxima com o choro, de sua autoria, intitulado “Te agasalho”. Foi eleito, em meio a feras da época, o melhor solista do Pará.
Em 2002, foi premiado pelos escoceses e ingleses como o melhor guitarrista do mundo.Atualmente, ele vive em Barcarena, e não pretende sair de lá. Fala com todos, frequenta os mesmo bares, mantêm mesmo hábitos de uma vida no interior, mesmo que este interior tenha mudado ao longo dos anos. “A guitarra é minha vida e Barcarena o local onde escolhi para viver. Foi daqui que saíram muitas das minhas músicas e inspirações de melodias. É parte integrante do que eu sou e do meu trabalho”, diz. Além disso, o turismo também atrai visitantes ao local. A praia do Caripi, por exemplo, ficou famosa por hospedagens que mesclam conforto e ambiente natural. “O idealizador do projeto foi o meu pai. Quando ele viu essa praia maravilhosa, viu o potencial de fazer algo bonito para quem vem. Tudo construído aqui tem uma história pra homenagear os temas da região.
Como é a Casa da Árvore, que representa a madeira da Amazônia”, explica Marco Mangiarini, administrador do hotel mais tradicional do Caripi. Ele conta que apesar da procura continuar crescendo, o hotel ainda é mais conhecido internacionalmente, com picos de visitas em julho, fim de ano e feriados. “Barcarena é muito próximo de Belém, em frete à Ilha do Marajó, a estrutura é boa, a cidade tem grande potencial. Quem vem fica sempre maravilhado com o que encontra”.
EM NÚMEROS
62% A economia está concentrada no município de Barcarena, que contribui com 62% do PIB da região, seguido de Abaetetuba, Tailândia e Cametá.(Diário do Pará)
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