Anivaldo Vale, 67 anos, é o candidato do PR à prefeitura de Belém. Servidor aposentado do Banco do Brasil, ele foi superintendente da instituição no Rio de Janeiro, Acre e Pará e também presidiu o Banco da Amazônia. Deputado estadual por três mandatos, Vale é o atual vice-prefeito de Belém e tem no prefeito Duciomar Costa seu principal cabo eleitoral.
Nesta conversa com o DIÁRIO, dentro da série de entrevistas com os candidatos à prefeitura municipal de Belém, Vale defendeu a atual administração e garantiu que houve avanços nas principais áreas. Com o slogan, “continuar para fazer mais”, ele garante que é um candidato “extremamente competitivo”.
P: A saúde é uma das principais preocupações dos eleitores de Belém. Como o senhor avalia os serviços prestados hoje em Belém?
R: A saúde não piorou. Houve avanços à medida que tivemos a ampliação do Pronto Socorro da 14 [Hospital Mário Pinotti, localizado na 14 de Março] com quase cem leitos, sendo 20 leitos de UTI e, mais do que isso, tivemos a a reinauguração do hospital Job Veloso, com especialidade de coração e parte de odontologia [refere-se ao Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas] . Em Mosqueiro, foram 22 leitos novos e a saúde básica está sendo trabalhada também. Agora não podemos deixar de reconhecer que a única porta aberta para atendimento à saúde é a da prefeitura de Belém. No interior não tem estrutura. As pessoas vêm para Belém e isso tem sobrecarregado a saúde. Eu reconheço que a saúde tem que ser melhorada em Belém, no Pará e no Brasil. Mas em Belém avançou, embora não naquilo que a gente gostaria que fosse.
P: Não é muito pouco, cem leitos em oito anos?
R: Não acho que seja pouco. Eu acho que cem leitos no pronto socorro seriam suficientes para que, à medida que você recebesse o paciente, pudesse distribuir para outros hospitais. O PSM não pode funcionar como hospital e às vezes está funcionando assim. O que está ocorrendo é uma demanda muito forte.
P: Na área da saúde básica houve uma redução do percentual de famílias atendidas. Houve um abandono da saúde básica?
R: Eu acho que essa informação é completamente equivocada. Na medida em que asfaltamos 2.500 ruas, com drenagem, com água, na medida em que trabalhamos a questão da macrodrenagem, trouxemos uma condição de habitação fantástica, tirando as pessoas da lama no inverno e da poeira no verão. Uma pessoa que mora nessas condições não pode ter saúde. Se você asfalta a rua que a pessoa mora, certamente ela vai ter uma condição de vida melhor e vai adoecer menos. Isso tudo tem que ser incluído na saúde básica.
P: Na área da educação, Belém tem uma média baixa no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)...
R: A nossa meta, que era para ser alcançada em 2015, já alcançamos em 2011.
P: Mas estamos abaixo da média nacional...R: Mas superamos nossa meta.P: O senhor acha então que nível de ensino em Belém está satisfatório?
R: Eu acho que avançamos na qualidade do ensino, graças aos investimentos que foram feitos nos professores. Quando o governo federal fixou um piso para os professores em todo País, Belém já pagava um piso bem acima. Hoje você tem professores ganhando R$ 3.600. Avançamos na medida em que construímos novas escolas, recuperamos outras, colocamos quadra de esportes. Até escola de pesca foi ampliada para dar apoio a filhos de pescadores e uma nova mentalidade no tratamento do ambiente. Houve avanços significativos. Veja que não tivemos nenhuma greve de professores. O professor do Pará é muito bem remunerado.
P: Outra área problemática é o saneamento, especialmente coleta de lixo. Faltou investimento nessa área?
R: Eu acho que a questão do lixo não é a coleta. A reclamação é do sistema. O desafio envolve não só Belém, mas toda a Região Metropolitana. A prefeitura de Belém iniciou a coleta seletiva. Agora, para fazer isso num volume desejado, será necessário um acordo entre todos os prefeitos da Região Metropolitana para que se possa fazer a coleta e o beneficiamento do lixo.
P: Essa questão da necessidade de parcerias entre os prefeitos da Região Metropolitana de Belém sempre aparece nas campanhas. Por que isso não acontece na prática?
R: Eu posso dizer que houve um esforço muito grande da administração em avançar. Eu tenho consciência de que essas ações foram deflagradas pelo prefeito [Duciomar Costa] junto ao Ministério das Cidades. Esse processo que estamos vendo agora começou no passado. Isso não começou aqui como uma obra eleitoreira [refere-se ao BRT]. A coincidência é que isso está sendo feito agora, mas é um projeto de desenvolvimento. Eu não acredito que não tenham sido feitos esforços junto aos prefeitos da área metropolitana. Nós não fomos é competentes para materializar isso até agora. E falo de todos nós.
E em relação ao lixo, isso não vai ser feito em dois, três anos. A prefeitura de Belém começou a coleta seletiva, com a orientação dos catadores. Não foi no nível que precisava, mas a arrancada foi dada.
P: O senhor acha que vai ter condições de fazer mais do que o Duciomar fez nessas áreas?
R: Eu espero dar continuidade ao que ele fez e fazer mais para quem mais precisa.P: O que pode lhe dar essa condição?
R: Sou uma pessoa experiente. Tenho uma vida de mais de 30 anos como executivo. Tive oportunidade de exercer cargos relevantes no Brasil. Participei do Conselho de Orçamento, Planejamento e Marketing do Banco do Brasil por mais de cinco anos. Participei do Conselho Monetário Nacional. Fui um deputado que honrou cada voto. Dizem que Fernando Henrique implantou duas universidades em seus oito anos de governo. Se foram duas, uma foi a que eu criei, que foi a Universidade Federal Rural da Amazônia. Criei a comissão da Amazônia e do Desenvolvimento Regional que está, a cada dia, mais fortalecida na Câmara dos Deputados. Conheço os ministérios, conheço os projetos, então acho que vou ter oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que representa o anseio e a reivindicação da comunidade. Tenho condições sim de avançar. Tenho experiência forte e muita vontade de trabalhar.
P: O senhor é o candidato do prefeito e por conta disso vai precisar defender a administração dele. Essa é uma missão possível?
R: Eu vou falar como cidadão. Veja, por exemplo, asfaltar 2.500 ruas, com drenagem com esgoto. Os 37 prefeitos que antecederam Duciomar não deram conta de fazer a metade. Então houve avanços. A visão de se buscar, por exemplo, o BRT: quem mais utiliza o ônibus é o trabalhador e o estudante e eles é que serão os beneficiados. O BRT de Belém é uma realidade e foi adequado até às nossas condições climáticas. É o primeiro BRT do mundo climatizado. Os ônibus e estações serão climatizados.
P: Não é uma obra eleitoreira?
R: Como é que um projeto que foi apresentado há dois anos, que nós levamos às duas horas da manhã na Base Aérea para Dilma e Lula, pode ser eleitoreiro?P: O município é acusado de fazer uma obra sem planejamento, tanto é que houve um estrangulamento da Almirante Barroso. Isso não foi um erro?
R: O que vai acontecer é o seguinte: em função do BRT de Belém, a Região Metropolitana se beneficiou. O desejo de realizar essa obra era tão forte que o governo federal cedeu 1.600 metros da BR 316 para que o município administrasse. Mas como é que se faz uma obra sem incomodar? É preciso ter um pouco de paciência porque essa é uma obra voltada para o trabalhador que fica, cinco, seis horas no transporte público.
P: A administração do prefeito Duciomar é alvo de muitas críticas e até de acusações de malversação do dinheiro público. São críticas injustas?
R: Na política é assim: quando você tem rabo vão lá e puxam seu rabo. Quando você não tem, eles colocam um rabo para puxar. O Duciomar é uma pessoa que está administrando Belém com todas as suas dificuldades e ele tem sua maneira de ser. Se há situação que represente agressão à coisa pública, cabe aos que acusam irem ao Ministério Público.
P: O prefeito Duciomar Costa é acusado também de ter desmantelado os conselhos que fazem o controle social da administração em várias áreas. Qual sua opinião sobre isso e como esses conselhos vão funcionar em uma possível administração sua?
R: Na minha administração quero um estreitamento muito forte com a sociedade, na medida em que vejo os conselhos como uma coisa muito séria. Quero fazer com a maior transparência, dando oportunidade ao conselheiro de ter sua independência e de ser uma pessoa que ajude a administrar.
P: O senhor foi o último dos candidatos a ser definido. O senhor já pensava nessa hipótese, ou foi repetino?
R: Para mim, seria muito natural como vice-prefeito, que o PTB [partido do atual prefeito] lançasse o candidato à sucessão do Duciomar. Quando fui chamado, pedi tempo para refletir. Conversei com minha família e com meu partido. Quando levei a proposta aos colegas do partido, eles pediram que eu fosse o candidato. O que me sensibilizou na conversa com o Duciomar foi que ele me disse que Belém está experimentando agora o sabor dos grandes investimentos e que eu tinha ajudado nisso. Ele disse também que sabia não ter condições de terminar as obras nesse mandato, e me pediu para não permitir que Belém voltasse atrás. Foi assim que eu decidi ser o candidato.
P: O senhor está à espera do apoio do ex-governador Almir Gabriel?
R: O doutor Almir já demonstrou apoio em várias ocasiões e se prontificou a aparecer na campanha. Antes de me decidir, tive uma conversa com ele. Somos amigos. Como deputado, fui um bom parceiro do governo dele. Busquei recursos e acho que ele vai querer me ajudar.
P: O senhor acha que tem alguma chance?
R: Eu sou um cara muito forte, uma pessoa muito determinada. Quando coloco um objetivo na minha vida, eu luto por ele. Vou lutar.
P: Até agora as pesquisas não estão muito favoráveis...R: Posso afirmar com toda certeza que os números que nós temos são completamente diferentes dos divulgados. Sou um candidato extremamente competitivo e acostumado a ganhar eleição.
P: Duciomar é um bom cabo eleitoral?
R: Ele é um baita eleitor. Pode transferir voto.
P: De quem o senhor espera apoio num eventual segundo turno?R: Não tenho diferença política com ninguém. Até hoje, graças a Deus, eu tenho boas relações com todos os partidos
P: E quem o senhor apoiará se não chegar lá?
R: Eu não chegar ao segundo turno? Não trabalho com essa hipótese. Eu vou estar lá esperando. Não sei quem vou enfrentar, mas eu vou estar lá.
(Diário do Pará)
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