Desigualdade social, pobreza, violência, fome, preconceito, degradação ambiental e, entre tantos problemas que precisamos superar, a promessa do slogan afirmava que “um outro mundo é possível”. Foi acreditando nessa possibilidade de transformação que mais de cem mil pessoas, vindas de todas as partes do Brasil e do mundo, se reuniram em Belém entre os dias 27 de janeiro e primeiro de fevereiro de 2009. O objetivo era criar um forte esforço coletivo para fazer do IX Fórum Social Mundial (FSM 2009) uma reunião memorável. Fruto de uma organização conjunta de entidades civis organizadas de todo planeta, o evento fez a capital paraense atrair olhares dos quatro cantos do globo. Marchas, protestos, debates, atos e palestras tomaram conta de Belém. Foi uma mostra de como as diferenças, quando relevadas em nome de uma causa maior, também são motivos de união.
Bandeiras de protesto tomando conta da Presidente Vargas, conversas em francês, alemão, espanhol, inglês nas esquinas, mulheres fazendo atos com seios à mostra, indígenas realizando pinturas corporais em autoridades e as duas universidades federais de Belém com muito mais gente do que as que preenchem as vagas insuficientes em muitos de seus cursos. A cidade viveu dias atípicos durante o Fórum Social. Segundo a assessoria do FSM, cerca de 4.500 jornalistas de 30 países, locados na Ufra (Universidade Rural da Amazônia), retransmitiam a programação intensa do evento. Durante a realização do Fórum, o DIÁRIO encartou cadernos especiais bilíngues para os visitantes se interagirem sobre os diversos fatos paralelos do FSM 2009.
Zaraia Guará Ferreira, 25 anos, estudante de Serviço Social e membro do coletivo “Vamos à Luta”, armou a barraca no Acampamento da Juventude e viveu o Fórum Social por dentro durante os cinco dias. “Eu participei das palestras, dos debates e dos atos que aconteceram dentro do evento. O Fórum foi bom porque era um espaço bem democrático que reuniu partidos, ONGs, movimentos sociais, coletivos...”, opina o estudante. Para Zaraia, o FSM só não foi mais popular porque o público local não participou ativamente da programação. “O FSM tava acontecendo na Terra Firme, mas a população da área ficou excluída do que estava acontecendo. Isso revoltou os moradores. Tanto que nos dois últimos dias, eles invadiram a Ufra e o evento ficou aberto pra todo mundo”, conta o estudante.
Para Zaraia, a quantidade de gente que participou do FSM 2009 foi uma surpresa tão grande quanto a força que ela representou. “No ato de abertura tinham milhares de pessoas caminhando. Eu acho que pelo evento acontecer na Amazônia chamou muita atenção dos outros países. Fiquei bastante emocionado”, relembra o estudante. Uma Amazônia que, pelos desafios que enfrenta, se mostrou mais próxima ao resto do planeta do que aparenta a princípio. “O Fórum serviu pra nós percebermos as várias lutas que ocorrem pelo mundo. A luta pela preservação do meio ambiente, dos indígenas, da defesa da floresta, dos sindicalistas... Foi importante pra nós vermos a contradição do sistema, que precisa se desenvolver, mas que pra fazer isso tem que destruir a natureza”, completa Zaraia.
(Diário do Pará)
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