Transição. Essa talvez tenha sido a palavra se não mais usada, pelo menos mais absorvida em 1982. É exatamente o ano do meio entre a anistia de 1979 e o encerramento oficial da ditadura militar brasileira, em 1984. Um dos mais complicados anos do início da década em termos econômicos e um dos mais esperançosos frente às possibilidades futuras. Por muitos aspectos, 1982 é um ano de sutil ruptura.
É fato que o Brasil vivia um clima de abertura política em 1982. Pela primeira vez, desde o Golpe Militar de 1964, os brasileiros iriam eleger por voto direto os governadores dos estados. Era um dos frutos principais da distensão iniciada em 1977 ainda no governo Geisel.
Distensão, transição e abertura, sim, mas com limites. A propaganda política na tevê ainda era cerceada pela Lei Falcão, que impedia os candidatos de falarem livremente, permitindo apenas a exibição de suas fotos e currículos.
O resultado desta eleição apontou a tendência de mudança política no Brasil. Foram eleitos 12 governadores da situação e dez da oposição, algo quase impensável alguns anos atrás. No Pará, foi a eleição de Jader Barbalho, do PMDB, como voz oposicionista.
(Diário do Pará)
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