Passava do meio dia quando dirigentes fazendários dos órgãos que funcionavam nas dependências do prédio do Ministério da Fazenda fizeram os primeiros pronunciamentos oficiais sobre o incêndio que tomou o edifício na Gaspar Viana no fim da noite de domingo (26) e só foi controlado por volta das 6h30 da manhã de ontem. Das dez entidades que ocupavam espaços no prédio, metade foi atingida pelas chamas que se espalharam do oitavo ao décimo quinto andar, de acordo com a Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda (Samf), responsável por todo o edifício.
Na lista dos os órgãos afetados estão salas da própria Samf, da Superintendência da Receita Federal, Delegacia da Receita Federal de Julgamento, escritórios do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Corregedoria da Receita. Como funciona nos primeiros andares do edifício, a Delegacia da Receita Federal, responsável pelo atendimento direto aos contribuintes, escapou do incêndio.
Ainda sem certezas, a superintendente da Samf, Iane Marques, confirmou a tese de que o incêndio pode ter sido provocado pela oscilação na rede elétrica. Baseada no testemunho do vigilante de plantão, a gestora diz que, por enquanto, essa é a causa mais provável. A superintendente admitiu que a fiação elétrica do prédio é antiga, mas não acredita que isso tenha dado início às chamas. Ela garantiu que o edifício recebe a cobertura de um contrato permanente de manutenção preventiva e corretiva.
“O relato do vigilante é de que às 20h [de domingo] houve muitos picos de energia na área e que, por volta das 23h, quando então o serviço foi normalizado, foi verificado o início do incêndio. O prédio conta com um projeto contra chamas, que inclusive auxiliou o Corpo de Bombeiros no primeiro atendimento”, explicou Iane. “Trata-se de uma perda terrível, é inegável. Ainda não é possível precisar o quanto, uma comissão foi montada para fazer o levantamento do que foi perdido. No caso específico da Samf foram atingidos a biblioteca, o auditório e setor de serviço de assistência ao servidor”, informou.
Apesar de assumir prejuízos de informações, o superintendente Adjunto da Receita Federal no Pará, Ocenir Sanches, declarou que as principais perdas para a Receita foram de ordem patrimonial como mobiliários e equipamentos eletrônicos. “Houve prejuízos de informações e documentos, mas como hoje a maior parte dos processos da Receita são informatizados, acredito que o mal foi reduzido”.
Durante boa parte da manhã, os dirigentes fazendários estiveram reunidos para traçar um plano de reestruturação. A maior preocupação é a escolha de uma nova base física para atendimento ao público, já que o prédio permanecerá interditado para perícia. A expectativa é que a partir de amanhã, os serviços ao contribuinte sejam normalizados. “Nos reuniremos mais uma vez esta tarde [ontem] para definir espaços federais que possam ser liberados para atendimento ao público. A ideia é que os atendimentos continuem ocorrendo aqui próximo, o mais breve possível. Não fomos atingidos, por isso a preocupação maior é com o atendimento imediato do contribuinte”, enfatizou o delegado da Receita Federal em Belém, Armando Farhat.
DESTRUIÇÃO
Os rastros de destruição davam a dimensão de um incêndio de grandes proporções que atingiu o prédio da Receita Federal. Pedaços de vidro e ferro retorcido ainda caiam do edifício, mesmo 10h após o início do incêndio. A avenida Presidente Vargas foi interditada para tráfego de veículos, da Municipalidade até a 13 de maio durante toda a manhã de ontem.
Para o funcionário Quineo Souza, auditor da Receita Federal, a suspeita é de que o fogo possa ter começado no Centro de Logística e Serviço (CLS), localizado no 7° andar. “O CLS é um servidor, que pode ter aquecido demais. Esse lugar é onde ficam os arquivos digitais da delegacia e sempre precisa ficar refrigerado”, disse.
FOGO
Somente após cerca de 10h de ter iniciado, o Corpo de Bombeiros conseguiu apagar o fogo que consumia o prédio. De acordo com o coronel Moraes, as equipes chegaram ao local em sete minutos, mas o incêndio era difícil de ser controlado. “A carga de incêndio era muito rápida já que no local tinha muitos papéis e divisórias. O vento forte também contribuiu para espalhar as chamas”, relatou. Foram envolvidos na operação 90 bombeiros e 10 viaturas.
Perícia técnica deve esclarecer a causa
Apenas uma perícia técnica esclarecerá as reais causas do incêndio. De acordo com o tenente coronel do Corpo de Bombeiros (CB), Carlos Reis, serão dois estudos: um do próprio CB - que desvendará o foco inicial das chamas – e o outro da Polícia Federal – que avaliará o comprometimento da estrutura do prédio. Todas as hipóteses serão consideradas.
Na manhã de hoje, a equipe de peritos da Polícia Federal fará a primeira visita ao prédio para iniciar as análises. Ainda não se fala em prazos para um laudo, mas a PF informou que a perícia deve levar tempo. A equipe que trabalha no caso é a mesma que trabalhou no incêndio ao prédio do INSS, em agosto de 2010.
“É muito cedo para imaginar qualquer coisa e dizer se a estrutura está, ou não, comprometida. Teremos de 15 a 30 dias para apresentar a perícia sobre as causas do incêndio. Vamos ouvir os vigilantes de plantão e fazer um apanhado geral da parte elétrica e do projeto de incêndio do edifício. Durante todo esse tempo, o edifício permanecerá interditado”, explicou.
O incêndio foi controlado por volta das 6h30 da manhã, quando teve inicio o trabalho de rescaldo dos militares. A equipe, que durante a madrugada chegou a reunir 83 militares, durante essa fase dos trabalhos foi reduzida pela metade. “O rescaldo é a fase mais minuciosa. Todos os detalhes precisam ser verificados para que o fogo não volte e assim seja possível garantir a segurança das pessoas”, advertiu Carlos Reis.
ATENDIMENTO
Em reunião com os dirigentes da Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda e o Superintendente da Receita Federal da 2ª Região Fiscal, Esdras Esnarriaga, ficou estabelecido um prazo de até a próxima segunda-feira para que os atendimentos voltem. “Estamos buscando o que é emergencial. Devemos voltar com o Centro de Atendimento ao Contribuinte, o CAC – que não foi afetado pelo incêndio, mas está interditado – no prédio da alfandega do porto de Belém, em frente a Estação das Docas”, revelou.
Segundo ele, ainda não se pode precisar uma data para voltar a funcionar no prédio da Gaspar Viana. “Voltar a operar naquele prédio levará tempo, há todo um processo licitatório para reorganizar o prédio”, explicou.
(Diário do Pará)
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